O volume do setor de serviços no Brasil apresentou uma ligeira retração de -0,1% em agosto, na comparação com o mês anterior, após ter registrado estabilidade em julho. O resultado veio abaixo das expectativas do mercado (que projetavam alta de +0,6%) e reforça o cenário de perda de tração na atividade econômica observado ao longo dos últimos meses.

Na comparação interanual, o setor avançou +0,6%. Já no acumulado em 12 meses, o crescimento perdeu ritmo, desacelerando de +2,4% em julho para +2,2% em agosto. Por outro lado, a média móvel trimestral manteve estabilidade no ritmo de expansão, registrando alta de +0,3%.

Apesar da leve queda na margem, o nível de atividade do setor continua em patamar alto: se encontra atualmente 0,3% abaixo do pico histórico, alcançado em outubro de 2025.

A retração em agosto foi puxada principalmente pela devolução parcial dos ganhos registrados no mês anterior em três segmentos:

  • Outros serviços: -1,0%
  • Transportes: -0,2%

  • Serviços profissionais, administrativos e complementares: -0,2%

Em contrapartida, o principal destaque positivo da leitura foi o segmento de serviços prestados às famílias, que avançou +2,1%, a segunda alta consecutiva, acumulando ganho de 2,9% no período. O setor de informação e comunicação permaneceu estável (0,0%).

Na análise acumulada em 12 meses, os principais vetores de crescimento continuam sendo informação e comunicação (+4,3%), serviços prestados às famílias (+4,2%) e serviços profissionais (+1,7%). Do lado negativo, transportes (-2,8%) e outros serviços (-2,5%) seguem como as principais pressões de baixa.

Apesar do número cheio ter ficado em campo negativo, a avaliação da dinâmica do setor indica aspectos favoráveis no detalhamento dos dados.

"O resultado de agosto segue consistente com uma trajetória de desaceleração gradual da atividade doméstica, contudo, a composição foi relativamente benigna", destaca Leonardo Costa, economista do ASA.

O economista ressalta a força dos setores diretamente voltados ao consumidor final:

"Mesmo com a queda do índice cheio na margem, o segmento de serviços prestados às famílias voltou a apresentar desempenho robusto, sugerindo alguma resiliência dos componentes mais ligados ao consumo doméstico. Seguimos na aposta de desaceleração gradual da atividade doméstica no 3T, com o PIB rodando mais próximo de zero no período".

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