O Relatório Focus divulgado pelo Banco Central com informações coletadas após a realização do primeiro turno das eleições trouxe um cenário de alívio nas expectativas do mercado financeiro para os juros e para a taxa de câmbio, além de registrar os primeiros sinais de arrefecimento nas projeções de inflação para prazos mais longos.

De acordo com a análise de Leandro Padulla, economista do ASA, os dados do relatório mostram uma reação positiva nos ativos de médio e longo prazo, mesmo em meio a pressões inflacionárias de curto prazo.

A principal mudança observada no boletim foi a revisão para baixo da taxa básica de juros (Selic) e do dólar ao fim de 2026. A mediana para a Selic no término de 2026 caiu 0,25 ponto percentual, para 13,25%.

Para o ano de 2027, o movimento de queda ficou ainda mais evidente entre as instituições que revisaram recentemente seus modelos econômicos, como aponta Padulla:

"Para 2027, a projeção permaneceu em 12,00%, mas, entre os analistas que atualizaram seus cenários nos últimos cinco dias, a mediana caiu de 12% para 11,75%. A estimativa para o câmbio ao fim de 2026 também recuou, de R$ 5,20 para R$ 5,15."

Na contramão da melhora nos juros e no câmbio, a estimativa para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 2026 sofreu um ajuste para cima, impulsionada pelo resultado da inflação do mês anterior:

"Em sentido contrário, a projeção para o IPCA de 2026 subiu 0,21 ponto percentual, para 5,22%, se afastando ainda mais do teto da meta. O movimento refletiu principalmente a surpresa de alta com o IPCA de setembro."

Apesar desse avanço em 2026, os horizontes mais longos registraram um alívio pontual nas projeções. As medianas do IPCA para 2028 e 2029 recuaram 0,01 ponto percentual nas métricas gerais.

Contudo, ao avaliar o grupo de analistas que revisou as projeções nos últimos cinco dias, a queda foi mais expressiva: de 3,76% para 3,70% em 2028 e de 3,58% para 3,50% em 2029.

"Esses movimentos de redução no médio prazo, modestas na mediana (mas maiores na média), parecem refletir o resultado da eleição de primeiro turno", acrescenta Leonardo Costa, economista do ASA.

Sobre a atividade econômica, o mercado manteve suas projeções inalteradas. As estimativas para a alta do PIB (Produto Interno Bruto) permaneceram em 1,85% para 2026 e 1,40% para 2027.

O levantamento sinaliza um ambiente de cautela positiva após o desfecho das urnas no primeiro turno:

Para os economistas do ASA, esse conjunto de números sugere uma reação inicial favorável nas expectativas para juros, câmbio e inflação de médio prazo após o primeiro turno.

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