A divulgação da ata do Fomc referente à decisão de setembro trouxe novos elementos sobre os rumos da política monetária americana.
Para Leandro Padulla, economista do ASA, o documento “confirma a mudança para uma postura mais restritiva”, em um cenário marcado pela persistência da inflação, atividade econômica sólida e um mercado de trabalho próximo ao pleno emprego.
Segundo Padulla, “todos os participantes apoiaram a alta de 25 bps nesta reunião, enquanto a maioria avaliou que ao menos outro aumento provavelmente seria apropriado até o fim do ano”.
Apesar da indicação de um aperto adicional, o documento manteve cautela quanto à dinâmica temporal e de magnitude. Para o economista, o documento não indicou preferência clara quanto ao número ou ao momento de eventuais movimentos adicionais, que poderiam ocorrer em outubro e/ou dezembro, mas reforçou que as próximas decisões dependerão dos dados.
Outro ponto de destaque apontado pela leitura do ASA é a avaliação interna do Federal Reserve sobre o atual patamar de aperto monetário.
"Chamou atenção a visão de vários participantes de que a taxa de juros ainda não era restritiva ou era apenas ligeiramente restritiva”.
Em linha com esse diagnóstico de cautela, as projeções internas também sofreram ajustes relevantes: o Fed revisou para cima as projeções de inflação para o período entre 2026 e 2028; e a convergência completa da inflação para a meta de 2% passou a ser prevista somente para o ano de 2029.
Em termos de comunicação, Padulla observa que “não houve mudanças relevantes no formato da ata, que manteve a mesma estrutura das divulgações anteriores”.
Apesar da manutenção formal, o conteúdo rompeu com a dinâmica recente ao fornecer direcionamento estratégico.
“Diferentemente das últimas reuniões, contudo, o documento trouxe alguma orientação para os próximos passos da política monetária, embora sem definir a magnitude ou o quando do aperto adicional”, conclui o economista do ASA.
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