Macroeconomia

Payroll fica abaixo do esperado, mas afasta cenário de deterioração acentuada

Apesar da desaceleração evidente na abertura de postos de trabalho e na dinâmica salarial, o cenário ainda não configura uma derrocada abrupta da economia
02 de outubro de 2026

O mercado de trabalho americano registrou um arrefecimento mais intenso que o antecipado em setembro.

O Payroll, principal relatório de emprego dos Estados Unidos, surpreendeu negativamente ao registrar a criação de apenas 29 mil vagas, acompanhado por fortes revisões para baixo nos meses anteriores. O dado foi divulgado nesta sexta-feira (2).

Apesar da desaceleração evidente na abertura de postos de trabalho e na dinâmica salarial, o cenário ainda não configura uma queda abrupta da economia.

O resultado fraco de setembro veio acompanhado de revisões para baixo de 60 mil vagas somando os dois meses anteriores. Com isso, a média móvel trimestral do emprego total encolheu de 71 mil para 51 mil.

A análise dos setores revela uma dinâmica bastante desigual. O emprego nos governos estaduais e locais caiu 16 mil, revertendo o avanço de 47 mil registrado em agosto, ao passo que o setor de Lazer e Hotelaria desacelerou de 37 mil para 10 mil vagas.

Em contrapartida, houve expansão pontual em frentes como construção, indústria e o bloco de comércio, transportes e armazenagem. No entanto, a média móvel trimestral do emprego estritamente privado recuou de 75 mil para 54 mil.

Na frente das famílias, a Household Survey indicou uma alta discreta na taxa de desemprego, passando de 4,1% para 4,2%.

Contudo, o movimento foi técnico e contido. O avanço real antes do arredondamento foi sutil, de 4,14% para 4,18%, impulsionado principalmente pelo crescimento da taxa de participação, que subiu de 61,64% para 61,79%, alcançando o maior patamar desde maio.

Além disso, a medida mais ampla de desemprego (conhecida como U6) recuou no período, atenuando a leitura negativa da taxa principal.

Outro ponto de destaque foi o comportamento dos ganhos médios. Os salários desaceleraram acima do esperado, avançando apenas 0,1% no mês (frente à projeção de 0,3%) e desacelerando de 3,1% para 3,0% no acumulado de 12 meses.

A migração de vagas em direção a setores produtores de bens, somada à retração em serviços profissionais, reforça o cenário de alívio nas pressões sobre custos de mão de obra. Enquanto isso, a jornada média semanal manteve-se estável em 34,4 horas.

Perspectivas para o Fed

Diante do conjunto de dados, o quadro geral aponta para acomodação, mas sem alarmismo.

"A alta do desemprego foi marginal e acompanhada pelo aumento da participação, enquanto as médias recentes de emprego permanecem positivas. Para o Fed, o resultado reforça a possibilidade de manutenção dos juros em outubro", avalia Leandro Padulla, economista do ASA.

Com a perda de fôlego do mercado de trabalho caminhando lado a lado com a moderação inflacionária dos salários, crescem as apostas de que o banco central americano adotará uma postura de cautela e manutenção das taxas de juros na próxima decisão de política monetária.

LEIA TAMBÉM: Inflação dos EUA traz alívio em agosto com revisões históricas, mas cautela prevalece

Usamos dados pessoais e cookies para analisar o uso de nosso site, direcionar conteúdos e anúncios personalizados e aprimorar a sua experiência. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa política de privacidade e política de cookies.