Macroeconomia

Desemprego segue na mínima histórica, aponta pesquisa do IBGE

De acordo com os dados da Pnad Contínua, a população ocupada alcançou um novo recorde histórico
29 de setembro de 2026

O mercado de trabalho brasileiro segue demonstrando resiliência, mas exibe sinais de acomodação no ritmo de expansão.

Em agosto, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua ficou em 5,5% (dado dessazonalizado), se mantendo praticamente estável pelo quarto mês consecutivo e próxima das mínimas históricas.

A avaliação é detalhada por Leonardo Costa, economista do ASA, que destaca a estabilidade recente do indicador.

De acordo com os dados divulgados pelo IBGE, a população ocupada alcançou um novo recorde histórico de 103,5 milhões de pessoas, enquanto a taxa de subutilização da força de trabalho ficou em 13,1%.

Apesar do patamar favorável, o economista aponta para uma desaceleração na margem.

"A população ocupada avançou 0,1% na margem em agosto, após alta de 0,2% no mês anterior, mantendo o quadro de desaceleração gradual da geração de empregos. Ainda assim, os indicadores de utilização do trabalho seguem em patamar favorável".

Se o volume de ocupados traz boas notícias, o mesmo não se pode dizer da dinâmica de remuneração. O comportamento da renda passa a exigir monitoramento mais próximo por parte dos analistas.

Embora o rendimento real habitual siga registrando expansão de +3,7% na comparação entre os anos, a massa salarial efetiva dessazonalizada acumula seis meses consecutivos de queda.

Sobre esse cenário, Costa ressalta que "pelo lado da renda, o quadro inspira mais atenção.

"O avanço mais lento da ocupação, combinado à acomodação dos rendimentos reais, indica que o impulso do mercado de trabalho para o consumo vem se tornando menos intenso ao longo dos últimos meses".

Em síntese, o panorama recente do mercado de trabalho é consistente com um cenário macroeconômico de desaceleração suave da atividade, sem indícios de deterioração abrupta.

No entanto, a perda de força na criação de vagas e a retração consecutiva da massa salarial pedem cautela quanto ao fôlego do consumo e da demanda doméstica nos próximos meses.

"Em resumo, os dados seguem compatíveis com um cenário de desaceleração gradual da atividade, sem deterioração abrupta do mercado de trabalho".

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