O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Semanal) de setembro registrou uma aceleração significativa, marcando 0,70%, bem acima da projeção de 0,61% do ASA e da mediana de 0,55% divulgada pelo Broadcast.
A leitura inverteu a tendência de agosto, que havia apontado deflação de -0,40%. Com o resultado, a inflação acumula 3,82% no ano e 4,47% em 12 meses, ante 4,24% no período anterior.
Além disso, a projeção do ASA para o IPCA de setembro foi revista para 0,72%, ante projeção anterior de 0,61%. A média de núcleos foi projetada em 0,32%, enquanto a inflação subjacente de serviços em 0,25%.
De acordo com Leonardo Costa, economista da ASA, "a surpresa de alta concentrou-se em alimentação no domicílio, com destaque para carnes e itens in natura, além de leituras mais fortes em energia elétrica e gasolina."
A média dos núcleos de inflação variou +0,34%, ligeiramente acima da projeção do ASA (+0,32%) e acima da mediana do Broadcast (+0,28%). O principal destaque negativo foi a inflação subjacente de serviços, que registrou pressão maior que o esperado em componentes ligados à recreação.
O grupo Habitação foi o grande vilão do índice, com alta de +2,07%, impulsionado principalmente pela energia elétrica residencial, que disparou +7,42% após a reversão do bônus de Itaipu.
Transportes registrou +0,60%, com destaque para as passagens aéreas em alta de +9,82%. Os combustíveis mostraram comportamento misto: gasolina em alta, enquanto diesel e etanol caíram.
Em Alimentação e bebidas (+0,40%), o segmento voltou ao terreno positivo, com destaques para tomate (+20,76%), arroz (+2,39%) e carnes (+1,30%). O grupo Despesas pessoais foi pressionado pela alta de +14,0% nos cigarros.
Todos os nove grupos pesquisados registraram inflação no período.
Na avaliação de Leonardo Costa, o balanço qualitativo do IPCA-15 foi marginalmente pior do que a projeção, com surpresa em itens voláteis (como o cinema).
Segundo o economista, "a inflação subjacente de serviços continua pressionada, com a média móvel trimestral anualizada rodando em torno de 5,3%, sinalizando que o processo de desinflação dos núcleos segue incompleto."
Por outro lado, Costa destaca que a inflação subjacente de bens continua mostrando arrefecimento na margem, provavelmente ainda beneficiada pela normalização parcial do choque anterior de petróleo e derivados.
Apesar do resultado acima das expectativas, o ASA mantém sua avaliação de que a leitura de inflação não deve alterar a posição do BC, seguindo a aposta em mais dois cortes de 0,25 ponto percentual nas reuniões de novembro e dezembro.
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