Macroeconomia

Relatório mostra aumento de chances de inflação furar meta em 2026

Apesar da melhora recente observada no IPCA cheio e na média das medidas subjacentes, o indicador permanece acima da meta
24 de setembro de 2026

O Banco Central avaliou que a economia brasileira entrou em uma fase mais clara de moderação ao longo do segundo trimestre de 2026.

Ao mesmo tempo, apesar da melhora recente observada no IPCA cheio e na média das medidas subjacentes, a inflação permanece acima da meta e continua sendo percebida como incompatível com uma convergência rápida para o objetivo de estabilidade de preços.​

Segundo o RPM (Relatório de Política Monetária) referente a este trimestre, o principal ponto de preocupação do BC segue sendo a persistente desancoragem das expectativas.

As projeções de mercado continuam acima da meta em todos os horizontes relevantes e, segundo o Comitê, exigem a manutenção de uma postura monetária mais restritiva e por período mais longo do que seria necessário em um ambiente de expectativas ancoradas.​

"A leitura recente do PIB confirmou uma desaceleração mais intensa nos componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e às condições financeiras, reforçando a percepção de que a política monetária segue produzindo os efeitos esperados sobre a demanda agregada", afirma Leandro Padulla, economista do ASA.

Apesar dos sinais de moderação econômica, o mercado de trabalho brasileiro continua apresentando um desempenho robusto. Os indicadores continuam historicamente fortes, com desemprego em patamares baixos e crescimento real dos salários.

Contudo, a dinâmica do mercado de trabalho começa a dar sinais de mudança.

Segundo a avaliação do BC, o ritmo de expansão da ocupação vem diminuindo, enquanto os rendimentos apresentam os primeiros sinais de acomodação.

"O mercado de trabalho continua com indicadores historicamente fortes, mas o ritmo de expansão da ocupação vem diminuindo e os rendimentos mostram sinais iniciais de acomodação, sugerindo um processo gradual de reequilíbrio", explica Padulla.

Ambiente externo

No cenário internacional, a incerteza continua elevada. Conflitos no Oriente Médio permanecem como fonte de preocupação, com potenciais impactos sobre energia e commodities que afetam diretamente a economia brasileira.

Além disso, a condução da política monetária das principais economias avançadas segue como elemento de atenção para o Banco Central.

A autoridade monetária mantém avaliação cautelosa para os mercados emergentes, considerando a maior volatilidade dos mercados financeiros e das commodities.

Diante desse contexto internacional desafiador combinado com a moderação doméstica observada, "a política monetária brasileira segue seu curso de ajuste, buscando equilibrar o controle de inflação com o suporte ao crescimento econômico em um cenário de gradual reequilíbrio".

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