O Banco Central avaliou que a economia brasileira entrou em uma fase mais clara de moderação ao longo do segundo trimestre de 2026.
Ao mesmo tempo, apesar da melhora recente observada no IPCA cheio e na média das medidas subjacentes, a inflação permanece acima da meta e continua sendo percebida como incompatível com uma convergência rápida para o objetivo de estabilidade de preços.
Segundo o RPM (Relatório de Política Monetária) referente a este trimestre, o principal ponto de preocupação do BC segue sendo a persistente desancoragem das expectativas.
As projeções de mercado continuam acima da meta em todos os horizontes relevantes e, segundo o Comitê, exigem a manutenção de uma postura monetária mais restritiva e por período mais longo do que seria necessário em um ambiente de expectativas ancoradas.
"A leitura recente do PIB confirmou uma desaceleração mais intensa nos componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e às condições financeiras, reforçando a percepção de que a política monetária segue produzindo os efeitos esperados sobre a demanda agregada", afirma Leandro Padulla, economista do ASA.
Apesar dos sinais de moderação econômica, o mercado de trabalho brasileiro continua apresentando um desempenho robusto. Os indicadores continuam historicamente fortes, com desemprego em patamares baixos e crescimento real dos salários.
Contudo, a dinâmica do mercado de trabalho começa a dar sinais de mudança.
Segundo a avaliação do BC, o ritmo de expansão da ocupação vem diminuindo, enquanto os rendimentos apresentam os primeiros sinais de acomodação.
"O mercado de trabalho continua com indicadores historicamente fortes, mas o ritmo de expansão da ocupação vem diminuindo e os rendimentos mostram sinais iniciais de acomodação, sugerindo um processo gradual de reequilíbrio", explica Padulla.
Ambiente externo
No cenário internacional, a incerteza continua elevada. Conflitos no Oriente Médio permanecem como fonte de preocupação, com potenciais impactos sobre energia e commodities que afetam diretamente a economia brasileira.
Além disso, a condução da política monetária das principais economias avançadas segue como elemento de atenção para o Banco Central.
A autoridade monetária mantém avaliação cautelosa para os mercados emergentes, considerando a maior volatilidade dos mercados financeiros e das commodities.
Diante desse contexto internacional desafiador combinado com a moderação doméstica observada, "a política monetária brasileira segue seu curso de ajuste, buscando equilibrar o controle de inflação com o suporte ao crescimento econômico em um cenário de gradual reequilíbrio".
LEIA TAMBÉM: ASA aumenta alocação em ativos de risco no Brasil