O IPCA (Índice de Preços do Consumidor Amplo) de agosto registrou variação de -0,32%, abaixo das expectativas do mercado, que era de -0,22%.
Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses recuou para 4,22%, ante 4,44% em julho, enquanto o acumulado do ano ficou em 3,11%.
A surpresa do recuo se concentrou principalmente nos preços administrados, com deflação mais intensa que a projetada em energia elétrica e gasolina, além de uma queda mais pronunciada de alimentação no domicílio.
A média dos núcleos, por sua vez, apresentou taxa de +0,23% com variação em 12 meses de 4,35%. O principal destaque foi a leitura mais comportada da inflação de serviços, com destaque especial para o arrefecimento da alimentação fora do domicílio, um sinal importante de moderação em um setor que vinha pressionando os índices.
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Os principais vetores de baixa vieram de Habitação, com queda de 1,87%, refletindo especialmente a redução de 7,63% na energia elétrica residencial via pagamento do bônus de Itaipu.
Transportes também contribuiu com recuo de 0,86%, impulsionado por quedas de 13,17% nas passagens aéreas e de 0,91% nos combustíveis. A categoria Alimentação e bebidas caiu 0,34%, com quedas generalizadas em itens in natura como batata (-19,89%), cenoura (-11,22%), cebola (-11,07%) e tomate (-10,94%).
Do lado das altas, Despesas pessoais registrou crescimento de 1,30%, influenciado principalmente pelo aumento de 19,59% no cigarro, que respondeu por cerca de 0,11 ponto percentual do índice cheio.
Segundo o economista do ASA, Leonardo Costa, o IPCA manteve um qualitativo benigno, com novos sinais de moderação da inflação de serviços e continuidade do processo de normalização dos preços de bens industrializados após o choque recente do petróleo.
A inflação de alimentos também segue apresentando comportamento favorável. No entanto, a instituição alerta que parte da surpresa de baixa de agosto pode ser revertida nos próximos meses, especialmente porque a forte queda da energia elétrica associada ao bônus de Itaipu tende a gerar um movimento de recomposição em setembro.
Diante do resultado e da manutenção dos subsídios aos combustíveis, o ASA revisou sua projeção de IPCA de 2026 para 4,8%, ante 5,0% anterior.
Porém, o balanço de riscos permanece relevante, especialmente por fatores climáticos associados ao El Niño e seus potenciais impactos sobre alimentos e energia.
Somado aos dados de atividade disponíveis até aqui, o IPCA de agosto reforça a expectativa de corte de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião do Copom da semana que vem.
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