Macroeconomia

ASA revisa cenário para Selic no final do ano

A desaceleração gradual da atividade doméstica, sustentada pelos dados mais recentes do PIB e por indicadores antecedentes, tem direcionado a reavaliação
08 de setembro de 2026

O cenário econômico nacional vem passando por ajustes significativos nas projeções de curto e médio prazo.

A desaceleração gradual da atividade doméstica, sustentada pelos dados mais recentes do PIB e por indicadores antecedentes, tem direcionado a reavaliação das expectativas para a taxa básica de juros e o crescimento do país.

Nesse contexto de arrefecimento dos estímulos anteriores, a atuação da autoridade monetária busca calibrar o ritmo de flexibilização sem perder de vista o comportamento dos núcleos de inflação e as incertezas do ambiente externo.

Em relação à trajetória dos juros e ao diagnóstico da atividade econômica, o ASA projeta corte de 0,25 pp na reunião do Copom de setembro. Ou seja, o cenário de Selic para 2026 foi revisto de 14% para 13,25%, considerando mais dois cortes de 0,25 pp em novembro e dezembro.

"A Selic é projetada em 12% em 2027. Externamente, o cenário segue com volatilidade acima do habitual, ainda que o conflito no Oriente Médio não tenha gerado estresse adicional nos ativos globais, apesar dos riscos para combustíveis", explica o economista do ASA, Leonardo Costa.

No ambiente doméstico, a atividade segue em desaceleração, com os dados do PIB do segundo trimestre de 2026 mostrando a desaceleração gradual das variáveis mais cíclicas (com destaque positivo para agropecuária e indústria extrativa), e os dados antecedentes do terceiro trimestre seguem referendando a continuidade dessa desaceleração.

"Na inflação corrente, observamos desaceleração da média de núcleos, e esperamos continuidade dessa trajetória gradual (ainda que e ritmo menor que o observado no curto prazo). As expectativas inflacionárias, embora ainda acima da meta, não pioraram. Esse quadro deve justificar a estratégia do Banco Central de seguir com a calibragem, via ritmo gradual de cortes".

A equipe macro também revisou o PIB de 2026 de 2,0% para 1,8%, com projeção de 1,5% em 2027. Na justificativa, o time destaca a ressaca do crescimento vinda do esgotamento dos estímulos de crédito para consumo e outros incentivos fiscais (como a desoneração do imposto de renda).

"Para 2027, projetamos um cenário particularmente desafiador com riscos para a atividade doméstica, com elevação contratada de carga sobre o consumo e o ajuste fiscal que o novo governo precisará implementar".

A inflação de 2026 é projetada em 5%. O alívio observado no curto prazo reflete principalmente a sazonalidade favorável da alimentação, efeito que deve se dissipar nos próximos meses, enquanto o núcleo de serviços segue operando no teto do regime de metas.

Para 2027, o ASA projeta desinflação para 4,3%, ainda que a confirmação do El Niño traga risco material de novos choques ainda neste ano.

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