As transações correntes do país registraram um déficit de US$ 8,1 bilhões em julho de 2026, avançando em relação ao saldo negativo de US$ 6,9 bilhões contabilizado no mesmo período do ano passado.
No acumulado de 12 meses, o cenário demonstrou uma melhora expressiva, com o déficit totalizando US$ 62,9 bilhões, o que representa 2,49% do Produto Interno Bruto (PIB) e fica consideravelmente abaixo dos US$ 75,9 bilhões, ou 3,51% do PIB, registrados um ano antes.
A balança comercial segue sólida em julho, apresentando superávit de US$ 6,2 bilhões, levemente inferior aos US$ 6,4 bilhões do ano anterior.
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O mês passado foi marcado por um crescimento de 5,7% nas exportações, que alcançaram US$ 34,2 bilhões, enquanto as importações avançaram em um ritmo um pouco mais acelerado, de 8,1%, totalizando US$ 28,1 bilhões.
Os setores de serviços e renda pressionaram negativamente o resultado mensal das contas externas. A conta de serviços registrou déficit de US$ 5,3 bilhões, impulsionada pelo aumento nas despesas líquidas de transporte, telecomunicações, computação, propriedade intelectual e viagens internacionais.
Já o déficit na conta de renda subiu para US$ 9,4 bilhões, puxado principalmente pelo crescimento das despesas líquidas com juros.
Por outro lado, a conta financeira continuou a apresentar amortecedores robustos para a economia brasileira, com destaque para o Investimento Direto no País (IDP).
Os ingressos líquidos de IDP somaram US$ 7,5 bilhões em julho e atingiram US$ 88,4 bilhões no acumulado de 12 meses, equivalente a 3,5% do PIB, fluxo que se manteve totalmente suficiente para financiar o déficit em transações correntes.
Os investimentos em carteira também contribuíram positivamente no mês, com entradas líquidas de US$ 1,1 bilhão impulsionadas por aplicações em ações e fundos domésticos.
Avaliando o panorama geral, o economista do ASA Leonardo Costa pontua que "o desempenho das exportações, especialmente de commodities, tem sido determinante para a melhora das contas externas observada ao longo de 2026".
Além disso, avalia o especialista, é provável que o déficit em transações correntes encerre o ano em nível inferior ao observado em 2025, preservando uma posição externa relativamente confortável mesmo em um ambiente internacional ainda marcado por volatilidade elevada.
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