O PIB (Produto Interno Bruto) do 2º trimestre de 2026 registrou alta de 0,5% na comparação com o trimestre anterior (com ajuste dessazonalizado), desacelerando em relação ao ritmo de 1,1% observado no primeiro trimestre.
Na comparação com o último ano, a economia avançou 2%, enquanto o acumulado em quatro trimestres ficou em 1,9%, com o resultado sendo sustentado principalmente pela agropecuária e pela indústria extrativa.
Pela ótica da oferta, a agropecuária cresceu 2,8% e os serviços avançaram 0,2%, enquanto a indústria registrou alta de apenas 0,1%, impulsionada pelas extrativas (+3,4%), em contraste com as retrações na transformação (-0,4%), construção civil (-0,4%) e eletricidade e gás (-1,1%).
Pela ótica da demanda, o principal destaque negativo foi a contração de 0,4% no consumo das famílias, sinalizando perda de tração nos componentes mais sensíveis ao ciclo doméstico.
Em sentido oposto, a Formação Bruta de Capital Fixo avançou 1,2% como principal vetor positivo interno, acompanhada pelo consumo do governo (+0,4%), exportações (+0,8%) e importações (+1,8%).
"Embora o resultado cheio tenha vindo em linha com nossa projeção, a composição foi qualitativamente mais fraca. Os segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico doméstico continuam perdendo dinamismo, enquanto agropecuária e extrativa seguem sustentando parte relevante do crescimento", avalia o economista do ASA, Leonardo Costa.
A análise dos dados também destaca que, apesar da estabilidade do comércio, os serviços tiveram melhores desempenhos em informação e comunicação (+2,1%) e transporte (+1,1%), enquanto atividades financeiras (-0,3%) e administração pública (-0,4%) registraram recuos.
Essa dinâmica reforça a leitura de que o crescimento segue concentrado em setores menos dependentes do ciclo econômico interno, enquanto os componentes voltados ao mercado doméstico perdem força de maneira gradual.
Diante desse quadro, o time de macroeconomia do ASA atualizou suas perspectivas para a atividade econômica brasileira.
"Nossa avaliação continua sendo de uma desaceleração gradual da atividade ao longo de 2026, mas os indicadores antecedentes sugerem que essa fraqueza já está entrando no terceiro trimestre de 2026. Atualmente projetamos crescimento de 0,2% no terceiro trimestre, em comparação com o anterior, com o PIB de 2026 sendo revisto para +1,8% (de +2,0%), em 2027 projetamos PIB de +1,5%".
LEIA TAMBÉM: Economia brasileira encolhe em junho