O mercado de trabalho americano voltou a surpreender em outubro. Segundo o relatório Payroll, foram criadas 165 mil vagas no mês, número que afasta, ao menos por ora, os temores de deterioração após a fraqueza registrada em setembro.
As revisões com tendência de alta de agosto e setembro somaram 84 mil postos e levaram a média móvel trimestral para 137 mil. Na leitura do emprego privado, a média trimestral passou de 83 mil para 126 mil.
“O crescimento foi puxado principalmente por serviços profissionais e empresariais (+70 mil), após a fraqueza anterior”, explica Andressa Durão, economista do ASA.
Já a pesquisa domiciliar (Household Survey) apontou aumento de 463 mil ocupados. A taxa de desemprego caiu de 4,2% para 4,1%, e a taxa de participação subiu de 61,8% para 61,9%.
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Há, porém, um contraponto. O indicador que engloba desempregados, subocupados e trabalhadores desalentados, avançou de 7,6% para 7,9%, acompanhando o aumento de 339 mil trabalhadores em tempo parcial involuntário, principalmente por falta de trabalho ou condições desfavoráveis dos negócios.
“Assim, o emprego cresceu, mas também aumentou a subutilização entre os ocupados”, pondera Andressa Durão.
Os salários também seguem em alta moderada. Os ganhos por hora avançaram 0,4% no mês e acumulam alta de 3,1% em 12 meses.
Para a economista, o conjunto do relatório alivia preocupações com uma piora do mercado de trabalho.
“O relatório reduz possíveis preocupações com uma deterioração do mercado de trabalho, depois da fraqueza do dado de setembro. A alta do indicador amplo traz uma ressalva, mas o conjunto de contratações, revisões positivas e queda do desemprego reforça a leitura de resiliência”, afirma.
No cenário de juros, a leitura é de que os dados dão ao Fed (Federal Reserve) espaço para manter o foco na inflação. Segundo Andressa Durão, o quadro abre caminho para uma nova alta da taxa de juros em dezembro.
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