O principal destaque do Relatório Focus divulgado nesta terça-feira (3) foi a forte piora das expectativas de inflação, inclusive nos prazos mais longos.
A mediana das estimativas do mercado para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 2027 subiu 0,42 ponto percentual, para 4,76%, enquanto 2028 e 2029 avançaram para cerca de 4%.
Para 2026, a projeção chegou a 5,22%, superando o teto da meta em 0,72 ponto percentual.
A alta da expectativa do mercado foi suavizada para os próximos 12 meses, para 4,96%, e do IGP-M de 2026, para 6,05%, o que reforça a percepção de aumento da inércia inflacionária e de deterioração da ancoragem, segundo Leandro Padulla, economista do ASA.
Embora o mercado ainda espere um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião, a trajetória projetada para a Selic ficou mais alta em praticamente todo o horizonte comparável.
"Isso sugere que o início do ciclo não está sendo descartado, mas que se espera uma condução mais gradual, com juros restritivos por mais tempo. A queda das medianas de fim de 2027 e 2028 não altera essa leitura, pois ocorre simultaneamente a uma revisão de alta da trajetória intermediária", explica Padulla.
LEIA TAMBÉM: Midterms nos EUA: O impacto das eleições no mercado financeiro