Macroeconomia

Varejo surpreende positivamente em junho, mas serviços mostram estagnação

A deterioração das médias móveis e a fraqueza observada no varejo ampliado seguem sugerindo perda gradual de dinamismo do consumo, segundo Leonardo Costa, economista do ASA
13 de agosto de 2026

Os dados mais recentes da PMC (Pesquisa Mensal de Comércio) e da PMS (Pesquisa Mensal de Serviços) referentes a junho trouxeram sinais mistos sobre o ritmo da economia brasileira no segundo trimestre de 2026.

Enquanto o varejo restrito apresentou uma reação acima do esperado, o setor de serviços ficou estagnado, refletindo um cenário de moderação da atividade doméstica.

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O varejo restrito variou +0,5% na margem em junho, superando as expectativas de mercado (Mediana Bloomberg: +0,1%) e o desempenho de maio (+0,3%).

Apesar do alívio pontual, a média móvel trimestral recuou -0,2%, sinalizando cautela. Já o varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, registrou queda de -1,0% na margem, evidenciando o impacto das condições financeiras mais restritivas.

"O resultado representa uma pequena surpresa positiva frente às expectativas para o varejo restrito, mas não altera significativamente a leitura de moderação da atividade doméstica ao longo do segundo trimestre, com resultado mais negativo para segmentos relacionados ao crédito", aponta Leonardo Costa, economista do ASA.

Costa reforça que a análise do setor exige atenção redobrada. "A deterioração das médias móveis e a fraqueza observada no varejo ampliado seguem sugerindo perda gradual de dinamismo do consumo".

A PMS de junho ficou estável (0,0%), desempenho um pouco melhor do que a projeção de queda do mercado (-0,2%). Embora o volume de serviços tenha registrado alta de +2,0% na comparação interanual, a abertura por atividades revela um quadro de enfraquecimento em quatro dos cinco setores analisados.

"O resultado da PMS de junho segue consistente com um cenário de desaceleração gradual da atividade econômica na margem. Embora o setor de serviços continue crescendo na comparação interanual, os indicadores coincidentes do segundo trimestre têm mostrado perda de tração em relação ao ritmo observado no final de 2025 e início de 2026."

O que esperar

Apesar das variações observadas em junho, as projeções para o PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre de 2026 permanecem inalteradas.

Segundo a análise do economista, a expectativa é de uma expansão de +0,5% na comparação trimestral ajustada sazonalmente. O ASA aguarda os próximos indicadores de atividade para avaliar a necessidade de eventuais revisões nas estimativas.

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