O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de julho registrou alta de 0,07%, desacelerando em relação aos 0,16% observados em junho. Com esse resultado, a inflação acumulada em 12 meses recuou para 4,44%, ante 4,64% no mês anterior, enquanto o acumulado no ano atingiu 3,44%.
O desempenho do mês ficou acima das projeções do ASA (+0,02%) e do mercado via Broadcast (+0,03%), impactado principalmente pela pressão na energia elétrica residencial e pela resiliência nos preços de serviços.
O grupo Habitação foi o principal vetor de alta (+0,99%), impulsionado pela alta de 3,09% na energia elétrica residencial, refletindo reajustes tarifários e a manutenção da bandeira amarela.
Em contraste, o grupo Alimentação e Bebidas (-0,67%) continuou atuando como o principal fator para o recuo, com destaque para a queda na alimentação no domicílio (-1,14%), especialmente em itens como tomate, batata, cenoura e café moído.
No setor de Transportes, a redução nos combustíveis, como o etanol (-2,26%) e a gasolina (-1,37%), foi parcialmente anulada pelo avanço expressivo de 11,67% nas passagens aéreas.
A média dos núcleos variou 0,26%, superando a expectativa de 0,20%. O desvio em relação ao esperado se concentrou na inflação de serviços, com ênfase na alimentação fora do domicílio e nos custos associados a recreação e lazer.
Embora a média móvel trimestral dos serviços aponte para um arrefecimento (de +4,86% em junho para +4,55% em julho), o processo de desinflação neste tem ocorrido em um ritmo mais lento do que o projetado anteriormente.
Sobre a leitura do indicador, Leonardo Costa, economista do ASA, classificou o IPCA de julho como qualitativamente pior do que o sugerido pelo IPCA-15 do mesmo mês, principalmente pela aceleração do núcleo de serviços na comparação mensal.
"O balanço qualitativo pouco pior na margem não invalida a leitura de melhora da inflação no curto prazo, mas deve reduzir o ímpeto de otimismo em torno das recentes revisões de baixa para o IPCA de 2026".
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