Macroeconomia

IPCA-15 desacelera em julho e inflação é revisada pelo ASA

Indicador em 12 meses recua para 4,52%, impulsionado por alívios em alimentos e combustíveis, enquanto economistas revisam projeções para baixo
28 de julho de 2026

O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) registrou alta de 0,06% em julho, resultado que ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro, cuja mediana das projeções coletadas pelo sistema Broadcast apontava para 0,21%, e também superou a estimativa do ASA, que previa 0,17%.

Com esse desempenho, a inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,80% na leitura anterior para 4,52%.

Diante desse cenário, a projeção para o IPCA fechado de julho passou de alta de 0,12% para avanço de 0,02%.

De acordo com Leonardo Costa, economista do ASA, a principal surpresa de baixa no índice cheio veio do grupo de alimentação no domicílio. O especialista apontou que houve "quedas mais intensas do que o esperado nos itens in natura (componente mais volátil do grupo)".

Como resultado, Alimentação e bebidas (-0,66%) exerceu o principal alívio do mês. Por outro lado, a principal pressão altista partiu de Habitação (+0,97%), impulsionada sobretudo pela alta de 3,03% da energia elétrica, reflexo de reajustes aplicados por diversas concessionárias.

Já no setor de Transportes (+0,11%), a forte alta registrada nas passagens aéreas acabou sendo mais do que compensada pela queda de 0,90% dos combustíveis, que mostrou recuos disseminados em itens como gasolina, etanol, diesel e gás veicular.

O comportamento dos núcleos de inflação também surpreendeu positivamente. A média dos núcleos variou 0,21%, ficando abaixo da projeção do ASA de 0,24% e da mediana Broadcast de 0,25%, o que fez a taxa em 12 meses recuar para 4,35%.

"A surpresa também foi de baixa nessa abertura, especialmente por conta do núcleo de serviços, que voltou a registrar deflação em serviços veiculares e apresentou queda em itens ligados à recreação".

Analisando o cenário macroeconômico, o economista avalia que "a inflação de curto prazo segue apresentando um comportamento benigno, liderado pela queda dos preços de alimentos e combustíveis".

Costa explica que, no primeiro caso, o movimento reflete "uma sazonalidade mais favorável para os produtos agrícolas", enquanto no segundo traduz "a dissipação da primeira onda de impactos do choque do petróleo observado no início do ano", se somando a uma dinâmica de núcleos cada vez mais favorável.

Olhando adiante, o quadro prospectivo permanece apontando para uma inflação relativamente comportada nos próximos meses.

A avaliação é de que a inflação de bens industrializados perde força após ter sofrido pressões do petróleo e do câmbio, ao mesmo tempo em que a inflação de serviços exibe sinais claros de desaceleração.

Para o especialista, esse movimento caminha "em linha com o esfriamento gradual da atividade doméstica e do mercado de trabalho", criando um ambiente que, "sem indicar uma desaceleração abrupta da economia, tende a favorecer leituras mais benignas para a inflação subjacente no curto prazo".

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