Macroeconomia

O que esperar dessa Superquarta?

Enquanto a expectativa é de que o Federal Reserve vai iniciar um ciclo de alta da taxa, o esperado é que o Comitê de Política Monetária brasileiro corte a Selic na magnitude
14 de setembro de 2026

Nesta Superquarta, o Brasil e os Estados Unidos tomam novas decisões de juros. Enquanto a expectativa é de que o Federal Reserve vai iniciar um ciclo de alta da taxa, com mais 0,25 ponto percentual, o esperado é que o Comitê de Política Monetária brasileiro corte a Selic na mesma magnitude.

"Os números de inflação divulgados na semana passada sustentam a alta e o dado de agosto deve dar força para Kevin Warsh convencer os membros indecisos a votarem pelo aumento", avalia Andressa Durão, economista do ASA.

Ainda assim, a equipe de macroeconomia do ASA espera pelo menos um dissenso por manutenção. Além disso, o comunicado não deve trazer grandes mudanças na avaliação do cenário. Com a decisão dessa semana, o Fomc deve somar três altas de juros ainda neste ano.

De acordo com Durão, o PIB deve ser mantido e a taxa de desemprego pode apresentar leve revisão de baixa.

A projeção para o núcleo do PCE (o mesmo que o núcleo do indicador) deve ser mantida ou até levemente revisada para baixo, a depender da inclusão pelos membros do impacto da revisão metodológica por parte do BEA (U.S. Bureau of Economic Analysis) no fim deste mês, que compensará as surpresas de alta observadas nos meses anteriores.

"Esperamos que o gráfico de pontos apresente 0,5 ponto percentual de aumento da taxa de juros este ano, com a mediana representando duas altas de 0,25 ponto percentual até dezembro, e juros mantidos parados no ano que vem".

Ainda segundo a economista, a coletiva de Kevin Warsh deve manter o tom mais duro de seu discurso em Jackson Hole, mas sem dar sinais à frente, apenas se comprometendo em entregar a inflação na meta.

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Brasil

No mesmo dia, mais tarde, o Copom deve cortar mais 0,25 ponto percentual, dando continuidade ao processo de flexibilização iniciado no no começo de 2026.

A combinação de atividade doméstica em desaceleração, ausência de novas surpresas inflacionárias relevantes (com qualitativo benigno nos núcleos) e expectativas de inflação relativamente estáveis desde a última reunião fornece espaço para que o Banco Central mantenha a estratégia de ajuste gradual dos juros.

"Na comunicação, o comitê deve reforçar que o ambiente externo segue desafiador, marcado pela elevada incerteza geopolítica e pela volatilidade dos preços de commodities associada ao reescalonamento do conflito no Oriente Médio. No cenário doméstico, a mensagem deve destacar a continuidade da desaceleração da atividade econômica", destaca Leonardo Costa, economista do ASA.

No entanto, a avaliação provavelmente será de que os impactos do conflito geopolítico sobre os ativos domésticos permaneceram limitados até o momento, permitindo a continuidade do processo de calibragem da política monetária.

E aqui, os indicadores mais recentes apontam para perda gradual de dinamismo, com consumo e investimento respondendo ao aperto monetário acumulado, enquanto setores ligados ao agronegócio e à indústria extrativa sustentam algum suporte ao crescimento.

O economista destaca, no entanto, que o Copom deve manter uma postura cautelosa em relação à inflação.

Embora os dados recentes tenham sido benignos e os núcleos venham mostrando melhora gradual, o IPCA continua acima da meta e as expectativas de médio e longo prazo permanecem desancoradas.

"Assim, esperamos uma sinalização praticamente inalterada: confiança no processo de desaceleração da economia, reconhecimento dos avanços na inflação, mas manutenção de um ciclo de cortes graduais e dependente da evolução dos dados".

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