O cenário inflacionário nos Estados Unidos apresentou sinais mais favoráveis com a divulgação do PCE (Índice de Despesas de Pessoal) referente ao mês de agosto.
De acordo com Leandro Padulla, economista do ASA, a leitura veio acompanhada de revisões que alteraram a percepção sobre a dinâmica recente dos preços no país.
"O núcleo avançou 0,247% no mês, ligeiramente abaixo do esperado, mas a principal informação veio das revisões históricas", aponta Padulla.
O destaque do relatório ficou por conta das mudanças metodológicas implementadas na série histórica. O impacto dessas alterações superou as expectativas iniciais do mercado financeiro, suavizando a leitura anterior de aceleração de preços.
"Mudanças metodológicas retiraram 0,34 ponto percentual do índice cheio e 0,36 ponto percentual do núcleo na leitura mais recente, impacto superior ao antecipado pelo mercado", explica o economista.
Com essa correção, o comportamento da inflação em 12 meses sofreu uma retração expressiva:
Núcleo de julho: revisado de 3,34% para 2,98% em 12 meses.
Núcleo de agosto: fechou em 3,01%.
Taxas anualizadas: o indicador de três meses recuou para 2,05%, enquanto o de seis meses ficou em 2,74%.
Apesar do alívio estatístico proporcionado pelas revisões, a composição interna dos dados ainda exige atenção por parte dos analistas e formuladores de políticas públicas. Alguns setores continuam apresentando pressões significativas de custos.
"A composição, contudo, ainda recomenda cautela. Os serviços excluindo habitação avançaram 0,36%, enquanto transportes subiram 1,44%, refletindo pressões do diesel e possíveis restrições na oferta de motoristas", detalha Padulla.
Dessa forma, o economista resume que "a revisão tornou a trajetória recente menos preocupante, mas a inflação permanece resistente ao redor de 3%, ainda acima da meta".
E para o Fed?
Diante do cenário desenhado pelo indicador, a reação do Banco Central norte-americano passa a ser monitorada de perto. Para o mercado, o dado reforça a expectativa de acomodação no curto prazo, embora incertezas permaneçam no radar.
"Para o Fed, o resultado joga a favor da manutenção dos juros em outubro, em linha com a sinalização recente de John Williams", avalia Padulla.
No entanto, o especialista pondera que o quadro macroeconômico ainda é dinâmico:
"Contudo, até a próxima reunião do FOMC, serão divulgados novos dados de inflação e do mercado de trabalho. Portanto, apesar da leitura mais benigna de hoje, ainda é cedo para descartar uma alta de juros já em outubro".
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