O ASA revisou suas projeções econômicas para o Brasil no horizonte de 2026 e 2027, ajustando para cima as estimativas do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e promovendo um corte na expectativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). Por outro lado, a trajetória esperada para a taxa básica de juros (Selic) foi mantida sem alterações pelo time de macroeconomia da instituição.

No cenário para a inflação, a projeção do IPCA de 2026 subiu de 5,0% para 5,1%. O movimento reflete forças opostas no balanço de preços: pelo lado de baixa, houve a incorporação da mudança da bandeira tarifária para verde em outubro, com expectativa de manutenção até o final do ano, gerando um impacto de 0,1 ponto percentual.

Em contrapartida, as estimativas para alimentação no domicílio e combustíveis foram elevadas pela equipe do ASA, somando um impacto de 0,2 ponto percentual.

A revisão em alimentos decorre da pressão sobre itens in natura e da expectativa de agravamento das condições climáticas com o fenômeno El Niño, cujos efeitos devem se estender até o início do próximo ano.

Inflação em 2027

Para 2027, a estimativa de inflação avançou de 4,3% para 4,5%, também guiada pela volatilidade nos preços de alimentos e pela recomposição gradual dos preços do diesel e da gasolina devido à reversão dos subsídios aplicados este ano, impacto que deve ser parcialmente suavizado pelo recuo previsto no preço internacional do petróleo.

A instituição ressalta que a inflação segue com um balanço de riscos assimétrico para cima. O destaque fica com a eventual aprovação da PEC do fim da escala 6x1, que tende a elevar custos trabalhistas no setor de serviços, onde a desaceleração permanece modesta.

Em segundo lugar, permanece a incerteza em torno da regulamentação da CBS e da aplicação do imposto seletivo, postergadas para o período pós-eleitoral e sujeitas à noventena, o que deve concentrar seus impactos entre o final de janeiro e o início de fevereiro. Essa janela também pode ser aproveitada para a revisão da desoneração dos tributos federais sobre a gasolina, hipótese já incorporada ao cenário base do ASA.

PIB

Em relação à atividade econômica, a projeção de crescimento do PIB para 2026 foi mantida em 1,8%, mas apresenta risco assimétrico para baixo.

"Os indicadores mais recentes vieram mais fracos que o esperado, confirmando a sequência de sinais de desaceleração vista nos últimos meses, com resultados decepcionantes na indústria e no comércio e estagnação no setor de serviços", escreve a equipe de macroeconomia.

Para 2027, a estimativa de alta do PIB foi revisada de 1,5% para 1,0%, refletindo o desaquecimento mais intenso da atividade e o efeito "ressaca" dos estímulos que sustentaram o crescimento em 2026, como a desoneração do Imposto de Renda e a expansão do crédito.

Segundo a análise, o crescimento do país tem um encontro marcado com uma inevitável restrição fiscal no próximo ano.

Juros

Por sua vez, o diagnóstico para a política monetária segue inalterado. O ASA continua projetando duas reduções adicionais de 0,25 ponto percentual nas reuniões de novembro e dezembro, levando a Selic para 13,25% ao final de 2026.

Em sua avaliação, o Banco Central deve preservar a estratégia de gradualismo adotada ao longo do atual ciclo, promovendo cortes marginais dos juros diante de um ambiente incerto e com expectativas de inflação desancoradas.

Para 2027, a projeção para a Selic permanece em 12%, enquanto não houver maior clareza sobre a condução da política fiscal.

No plano político, o resultado do primeiro turno elevou a probabilidade de um cenário de alternância de poder, em uma disputa marcada pela menor diferença entre os dois candidatos mais votados na história recente.

Embora o ambiente permaneça incerto e desafiador, o ASA concluiu que potenciais medidas de ajuste mais restritivas podem resultar em um ano de 2027 mais fraco para a atividade, mas com benefícios relevantes no longo prazo, por meio da combinação de menor inflação, juros mais baixos e crescimento sustentável.

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