O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) surpreendeu em setembro, acima da média esperada pelo mercado. O dado, divulgado nesta sexta-feira (9) pelo IBGE, mostrou uma alta de 0,82%, acima da projeção de +0,75% projetado pelo ASA e pela mediana do Broadcast. No mês anterior, vale lembrar, o indicador apresentou deflação de -0,32%.
Com isso, a inflação acumulada atingiu +3,95% no ano e +4,58% em 12 meses, voltando a superar o teto do regime de metas (4,50%) após dois meses abaixo desse patamar.
"A surpresa em relação à nossa projeção veio principalmente de combustíveis, com alta mais forte da gasolina, compensando uma leitura mais benigna em alimentação, apesar do avanço mais firme das coletas ao final de setembro", destaca Leonardo Costa, economista do ASA.
A média de núcleos registrou alta de 0,36%, elevando a taxa acumulada em 12 meses para 4,53%. A surpresa ficou concentrada em serviços, que vieram acima da projeção do ASA (+0,31%) em função de descontos menores em cinema e de uma aceleração mais forte dos serviços de alimentação.
A aceleração do IPCA foi concentrada em Habitação (+2,31%), responsável por 0,35 ponto percentual do índice, refletindo principalmente o fim do bônus de Itaipu e a alta de +7,98% da energia elétrica residencial.
Também contribuíram de forma relevante Transportes (+0,89%), com destaque para passagens aéreas (+9,66%) e combustíveis (+1,41%), e Alimentação e bebidas (+0,83%), após três meses consecutivos de queda.
Dentro da alimentação, as principais pressões vieram dos alimentos in natura, com altas expressivas de tomate (+37,76%), batata (+24,07%) e cebola (+10,14%). Entre os demais grupos, as variações foram mais moderadas, com destaque para Vestuário (+0,71%) e Comunicação (+0,64%).
"Observamos uma piora qualitativa do IPCA na margem, com destaque para a aceleração dos núcleos e, principalmente, dos serviços, que seguem rodando em patamar elevado. Ainda assim, entendemos que o Banco Central deve manter o processo de flexibilização monetária, apoiado na avaliação de que a inflação tende a convergir de forma mais favorável no horizonte relevante da política monetária".
Nesse contexto, a estratégia mais provável da autoridade monetária continua sendo a de cortes graduais de 0,25 ponto percentual, seguindo a estratégia de ajuste gradual da Selic, mantendo a política monetária em território contracionista e dependente dos dados de inflação e atividade que forem divulgados.
Além disso, avalia o economista, os sinais mais claros de desaceleração da atividade doméstica observados recentemente reforçam a conveniência de seguir avançando com cautela no ciclo de cortes.
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