A atividade econômica brasileira abriu o ano de 2026 com um ritmo de expansão acima do esperado por parte do mercado.
O PIB (Produto Interno Bruto) do país registrou crescimento de 1,1% no 1º trimestre de 2026 na comparação com os três meses imediatamente anteriores, em dados que já contam com ajuste sazonal.
O resultado superou a projeção da mediana da Bloomberg, que estimava alta de 1%, e ficou próximo da leitura do ASA, que previa avanço de 1,2%.
Na comparação interanual, a economia brasileira apresentou expansão de 1,8% frente ao 1º trimestre de 2025.
Com esse desempenho, o crescimento acumulado nos últimos quatro trimestres atingiu o patamar de 2%.
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Embora os números consolidados mostrem resiliência, chama a atenção o peso de fatores temporários no resultado e para a piora em indicadores que medem a capacidade produtiva futura do país.
Safra recorde de soja impulsiona a produção
Pela ótica da oferta, o grande destaque do período foi o desempenho da agropecuária, que registrou uma alta de 2% na margem.
De acordo com os dados oficiais, esse avanço reflete principalmente a colheita recorde de soja.
A produção do grão ficou 4,8% acima da estimativa anual, impulsionada por condições climáticas amplamente favoráveis e pela expansão da área plantada no país.
"O resultado veio em linha com nossa expectativa com um ponto de partida mais forte para a atividade doméstica em 2026. Os destaques positivos do trimestre, no entanto, foram em grande parte de caráter não estrutural, o setor agrícola se beneficiou de uma safra excepcional de soja e a indústria extrativa reflete a força da produção de petróleo e gás", avalia Leonardo Costa, economista do ASA.
Apesar do forte peso do agronegócio e do setor extrativo no trimestre, o economista pondera que há sinais positivos vindos de outras áreas da economia.
"Dito isso é relevante observar que setores com dinâmica mais estrutural como a construção civil também mostraram crescimento robusto o que é um sinal positivo para a tendência", acrescenta Costa.
Estímulo fiscal sustenta demanda e FBCF recupera margem
Pela ótica da demanda, o consumo das famílias avançou 1% na margem. Intermediários do mercado avaliam que esse resultado foi sustentado ao menos em parte pelas medidas recentes de incentivo fiscal ao consumo.
Entre os principais mecanismos acionados está a ampliação da faixa de isenção do imposto de renda para rendimentos de até R$ 5 mil, medida que elevou a renda disponível das famílias de renda média e movimentou o comércio e o setor de serviços.
A FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo), que mede os investimentos produtivos, surpreendeu positivamente ao registrar uma alta de 3,5% no trimestre. O indicador conseguiu reverter a queda de 3,4% anotada no trimestre anterior.
Contudo a situação ainda exige cautela. Na comparação interanual com o 1º trimestre de 2025, a FBCF ainda registra queda de 1,4%, puxada negativamente pelo recuo de 6,3% na produção nacional de bens de capital.
Alerta ligado para poupança e investimento
O principal ponto de atenção estrutural trazido pelo relatório do 1º trimestre foi a piora combinada nos indicadores de poupança e investimento, o que pode comprometer a trajetória de crescimento sustentável da economia a médio prazo.
A taxa de investimento (FBCF sobre o PIB) recuou para 16,5% no trimestre, ficando abaixo dos 17,6% registrados no mesmo período de 2025. No mesmo sentido, a taxa de poupança encolheu para 15,5%, ante os 15,8% do ano anterior.
Somado aos desafios internos, as incertezas no cenário internacional começam a desenhar um horizonte mais desafiador para os próximos meses, especialmente devido às tensões geopolíticas no Oriente Médio e ao consequente choque nos preços do petróleo.
"Quanto ao impacto do conflito no Oriente Médio e do choque do preço do petróleo sobre a atividade doméstica a queda de 0,7% no setor de transportes em serviços é consistente com um efeito inicial via custo de combustível embora o impacto negativo no primeiro trimestre ainda pareça limitado, dado que o conflito se intensificou ao final do período", explica Leonardo Costa.
O cenário prospectivo aponta para uma acomodação do ritmo de crescimento econômico no restante do ano, à medida que os custos mais elevados sejam repassados para as cadeias produtivas.
"A expectativa é que o segundo trimestre capture mais integralmente esse efeito tanto pelo canal de custos quanto pela maior incerteza global. De forma geral projetamos desaceleração gradual da atividade nos próximos trimestres", conclui o economista do ASA.
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