Macroeconomia

Financiamento do agro: incerteza fiscal e risco de taxação ameaçam mercado de R$ 1,4 tri

Jeferson Bittencourt aponta que o esgotamento do orçamento para equalização de juros exige maior sofisticação do crédito privado e defende reformas institucionais para atrair capital estrangeiro e garantir a segurança das garantias rurais
06 de maio de 2026

O agronegócio brasileiro vive uma transição estrutural "inexorável", abandonando a dependência do Tesouro Nacional para se consolidar como um setor financiado pelo mercado de capitais, conforme explicou Jeferson Bittencourt, head de macroeconomia do ASA, durante painel na Agrishow 2026.

Bittencourt aponta que o país deixou para trás o modelo de 2022, no qual o funding público respondia por até 85% do crédito, para atingir um equilíbrio de 50% entre recursos estatais e títulos privados, como LCAs, CRAs e CPRs.

Com um estoque desses papéis projetado para alcançar R$ 1,4 trilhão este ano, o agro busca sofisticação para compensar a redução da capacidade de subvenção pública.

No entanto, essa migração para o mercado privado ocorre sob a sombra de uma crescente incerteza tributária ditada pelas necessidades de arrecadação do governo.

Bittencourt explica que o desenho do arcabouço fiscal, que atrela o limite de gastos ao crescimento da receita, obriga o Executivo a buscar novas bases tributáveis anualmente. Nesse cenário, os títulos isentos do agronegócio tornaram-se alvos preferenciais.

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Bittencourt adverte que, após tentativas frustradas no Congresso, o governo mantém em seu "plano de voo" a possibilidade de utilizar o IOF como imposto regulatório via decreto para taxar esses papéis, uma estratégia que ganhou segurança jurídica após decisões recentes do STF sobre a autonomia do Executivo para alterar alíquotas.

Essa pressão fiscal deve persistir independentemente do resultado das próximas eleições, uma vez que o crescimento das despesas obrigatórias continuará comprimindo o espaço para a equalização de juros no Plano Safra.

Bittencourt avalia que, diante de um Estado com orçamento cada vez mais engessado, o custo do financiamento para o produtor tenderá a subir, a menos que o país avance em reformas institucionais.

Entre essas medidas, ele destaca a necessidade de pacificar a segurança jurídica para a posse de terra por estrangeiros, o que facilitaria a execução de garantias e permitiria ao Brasil atrair um volume maior de capital externo para financiar a produção rural com encargos menores.

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