O Banco Central mantém sua percepção de que a atividade doméstica desacelerou no início de 2026, enfatizando agora os efeitos defasados da política monetária restritiva que se propagam pela contração do crédito livre, mesmo com o mercado de trabalho permanecendo em patamares historicamente apertados. A percepção foi publicada na ata do Copom desta terça-feira (5).
No campo inflacionário, o cenário sofreu uma deterioração sob o impacto do choque do petróleo, com as leituras recentes de preços ao consumidor e ao produtor vindo significativamente acima do esperado e refletindo os reflexos dos conflitos no Oriente Médio.
Esse quadro resultou em uma piora adicional nas expectativas de inflação, com destaque para a desancoragem em prazos mais longos, especialmente para 2028.
Ao avaliar o balanço de riscos, o Copom reconheceu que a demora na resolução do conflito internacional amplia as chances de impactos duradouros nas cadeias produtivas, notando que parte desses riscos pode já ter se materializado.
Apesar disso, optou por manter o balanço de riscos para a inflação como equilibrado - ainda que em níveis mais elevados que o habitual -, reafirmando o compromisso firme de combater os efeitos de segunda ordem do choque das commodities.
Na calibração dos juros, o colegiado efetuou um novo corte de 0,25 p.p., acompanhando o movimento de março.
"A próxima decisão ficadependente de dados, mas há confiança do Comitê no efeito do juro restritivo sobre a atividade doméstica, a ver se a deterioração do quadro inflacionário permitirá um ciclo de cortes mais longo", observa Leonardo Costa, economista do ASA.
A estimativa do ASA é de novo corte de 0,25 pp na reunião de junho, com taxa Selic de 13,25% ao final de 2026 - com risco de terminar acima disso.
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