*Texto de Leonardo Costa, economista do ASA
O Banco Central cortou a taxa básica em 0,25 pp, com a Selic alcançando 14,50%, em linha com a expectativas do mercado.
O modelo do BC registrou piora na projeção de inflação (de 3,3% para 3,5%, mais distante do centro da meta) no seu horizonte relevante, que agora é o 4º trimestre de 2027.
O balanço de riscos segue assimétrico e mais elevado que usual, com adição do risco de alta por conta do choque de petróleo, e do risco de baixa pela desaceleração da atividade global (também efeito do choque do petróleo).
O comunicado da decisão segue aberto, dependente de dados, com sinal de que o ciclo de cortes tende a ser ajustado (menos do que o previsto anteriormente), seguindo o ritmo de cortes (de 0,25 pp).
Para a reunião do Copom de junho, o ASA projeta outro corte de 0,25 pp, com viés de alta na projeção de Selic para 2026 - que atualmente está em 13%.
Decisão ponto a ponto
A indefinição acerca da duração do conflito no Oriente Médio é o principal ponto de incerteza no ambiente externo.
Do lado doméstico, preocupa a piora da inflação, especialmente das medidas de inflação subjacentes (núcleos), que voltaram a acelerar nas últimas leituras de inflação.
O horizonte relevante da política monetária agora é o 4º trimestre de 2027, com o modelo do BC projetando IPCA de 3,5% (era 3,3% em março), piora considerável e que apropria os impactos do choque recente do petróleo.
O balanço de riscos segue mais elevado que o usual e equilibrado, com risco de alta via choque do petróleo e risco de baixa via desaceleração da atividade global - também efeito do choque do petróleo.
A atividade doméstica voltou a acelerar no começo de 2026, mas o BC indica que a trajetória ainda é de desaceleração.
Na prescrição de política monetária, a mudança relevante de linguagem, o Comitê acrescentou "extensão" ao lado de "ritmo", sinalizando que não só a velocidade, mas também o tamanho total do ciclo pode ser ajustado.
O que esperar?
Na prática, o BC segue dependente de dados e deve manter o ritmo de 0,25 pp por reunião (analisando a deterioração do cenário atual), com a possibilidade de encerrar o ciclo mais cedo do que o mercado espera caso o cenário externo ou a inflação piorem.
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