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Macroeconomia

Como era a economia na última vez que levantamos a taça da Copa do Mundo?

Enquanto o Brasil celebrava o pentacampeonato em 2002, o país enfrentava câmbio abaixo dos R$ 3, inflação de dois dígitos e incerteza eleitoral
16 de junho de 2026

A Seleção Brasileira participa de mais uma Copa do Mundo em 2026, em um cenário macroeconômico bem diferente de como o Brasil era em 2002.

Àquela época, a inflação estava em dois dígitos e a Selic acima do que a atual, para tentar controlar o aumento dos preços.

Enquanto os brasileiros viviam a catarse coletiva do pentacampeonato mundial de futebol, na Coreia do Sul e no Japão, entre maio e junho de 2002, os bastidores da economia nacional atravessavam um momento de extrema tensão.

O brilho da seleção de Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho contrastava com um cenário de incertezas, instabilidade cambial e desconfiança do mercado financeiro, embalados por um processo eleitoral que colocaria o Brasil em uma nova trajetória política.

O clima de apreensão em 2002 tinha nome e sobrenome: "efeito eleição". Assim como acontece a cada quatro anos, o pleito presidencial de outubro acompanhava aquele período de como e o mercado financeiro reagia com nervosismo à possibilidade de mudança no comando do país.

Durante o mês da Copa, o dólar comercial operou volátil. Na abertura do torneio, em 31 de maio, a moeda americana era cotada a R$ 2,52, ao final da campanha vitoriosa, em 30 de junho, o dólar ficava em R$ 2,40.

Meses depois, a moeda chegaria a romper a marca histórica dos R$ 4.

Leia também: Inflação sobe mais do que o esperado em maio e deve reforçar tom duro do Copom

Para tentar segurar a desvalorização cambial e conter a escalada de preços, o Banco Central, sob o comando de Armínio Fraga, mantinha uma política monetária restritiva. A taxa Selic, que na época da Copa estava fixada em 18,50% ao ano, era o principal escudo da autoridade monetária.

No entanto, o esforço não foi suficiente para impedir que a inflação fechasse o ano de 2002 em 12,53%, estourando a meta oficial.

A economia real sofria com esse custo elevado. A poupança, investimento tradicional das famílias, rendeu 9,27% no ano, resultando em perda real de poder de compra diante da disparada dos preços.

O mercado de trabalho também refletia o desaquecimento: o desemprego, medido pela nova metodologia do IBGE, rondava os 11,6% nas principais regiões metropolitanas.

No cenário acionário, o Ibovespa vivia um momento peculiar. O índice encerrou julho de 2002 aos 9.762 pontos, bem abaixo da casa dos 11 mil pontos onde iniciou o mês.

Naquele período, as gigantes de tecnologia e energia, que hoje dominam o mercado, não eram as protagonistas absolutas. A Telemar (atual Oi) reinava como a empresa de maior peso e representatividade no índice, reflexo direto do processo de privatização do sistema Telebrás ocorrido poucos anos antes.

O ano de 2002 foi um divisor de águas. Enquanto o brasileiro comemorava o Penta ao som de "Festa", de Ivete Sangalo, ou "Deixa a Vida Me Levar", de Zeca Pagodinho, o preço do pãozinho francês disparava devido à dependência do trigo argentino, as operadoras de telefonia lucravam com o tráfego intenso de chamadas de madrugada e a pirataria de CDs virava uma microeconomia doméstica com a popularização dos gravadores de computador.

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