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Macroeconomia

Inflação sobe mais do que o esperado em maio e deve reforçar tom duro do Copom

Com o resultado, o IPCA acumula uma alta de 3,2% no ano e atinge o patamar de 4,72% no acumulado dos últimos 12 meses
12 de junho de 2026

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrou uma variação de 0,58% em maio, desacelerando em relação aos 0,67% observados no mês anterior.

Com o resultado, a inflação oficial do país acumula uma alta de 3,2% no ano e atinge o patamar de 4,72% no acumulado dos últimos 12 meses. O dado veio ligeiramente acima das projeções do ASA, que estimava uma taxa de 0,55%.

O comportamento do índice cheio foi marcado por forças divergentes. Enquanto os grupos de alimentação e habitação exerceram forte pressão de alta, o setor de transportes atuou como o principal amortecedor do período.

De acordo com a avaliação do ASA, o cenário trouxe surpresas específicas, mas que se mantiveram dentro de margens previsíveis.

"Tivemos surpresas relativamente contidas no IPCA de maio. No headline, combustíveis vieram acima da nossa projeção, com alimentos compensando parte disso com um avanço um pouco menor", avalia Leonardo Costa, economista do ASA.

O grupo alimentação e bebidas foi o principal vilão do mês, registrando alta de 1,33%, o que equivale a praticamente metade de todo o índice de maio.

A alimentação no domicílio saltou 1,65%, impulsionada por fortes pressões em itens básicos do prato do brasileiro, como a batata-inglesa, o tomate, a cebola e as carnes.

Outro destaque significativo veio do grupo habitação, que acelerou para 1,22%. O grande responsável por esse movimento foi o custo da energia elétrica residencial, que subiu 3,67% e representou o maior impacto individual do mês, refletindo a vigência da bandeira tarifária amarela e reajustes locais em diversas capitais.

Na direção oposta, o grupo transportes registrou a única variação negativa entre as grandes categorias.

A média dos núcleos de inflação, métrica utilizada para capturar a tendência estrutural dos preços desconsiderando componentes voláteis, registrou alta de 0,45% em maio.

O número ficou alinhado à mediana do mercado e ligeiramente abaixo da expectativa da ASA, que projetava avanço de 0,48%.

"Nos núcleos, o destaque positivo ficou com o núcleo de serviços, que veio um pouco mais fraco que o esperado, com serviços pessoais perdendo força na margem, com destaque para serviços veiculares e serviços pessoais", aponta Costa.

Leia também: Selic alta por mais tempo: veja revisões do ASA para o cenário macro

Como mexe com a economia?

Apesar do alívio pontual verificado no comportamento recente dos serviços na margem, a leitura da categoria ainda inspira cautela. Quando analisada pela média móvel trimestral, a inflação de serviços mostra sinais de estabilização, mas ainda em patamares incompatíveis com o centro das metas de longo prazo.

"Em resumo, o impacto de segunda ordem da alta do petróleo aparece no núcleo de bens, que ainda avança com força e deve esfriar nos próximos meses. O núcleo de serviços também parece estar estacionando, mas em patamar muito elevado", alerta o economista da ASA.

Diante desse quadro de resiliência inflacionária, a leitura é de que o espaço para novos estímulos monetários por parte do Banco Central chegou ao fim.

A combinação de uma inflação corrente persistente, desancoragem das expectativas futuras e um ambiente externo adverso deve ditar o tom da próxima decisão do Copom (Comitê de Política Monetária).

"O cenário inflacionário segue preocupante para o BC, que deve encerrar o ciclo de corte de juros na reunião da semana que vem. Além da preocupação com a inflação corrente, também influenciam o fim do ciclo de corte de juros o cenário externo mais complexo e expectativas de inflação em alta", conclui Leonardo Costa.

Com o mercado projetando de forma unânime a interrupção das quedas da taxa Selic, as atenções se voltam agora para o tom do comunicado do Banco Central.

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