Taxa básica de juros abaixo dos 14% parece distante em 2026.
Segundo a equipe de macroeconomia do ASA, a deteriorização do cenário descarta a projeção anterior (de que a Selic encerraria o período em 13,25%) e trabalha com uma nova expectativa: de que o corte de 0,25 ponto percentual da próxima reunião será o último do ano.
"A inflação corrente tem surpreendido para cima, com os núcleos de serviços mostrando resistência persistente. As expectativas de inflação para os horizontes mais longos (2028 e 2029) seguem desancoradas, além de contínua revisão para cima nas projeções de médio e curto prazo", explica o economista do ASA, Leonardo Costa.
Costa explica que o ambiente externo piorou com a nova escalada das tensões no Oriente Médio apontando para um conflito mais prolongado do que o anteriormente esperado, com reflexos sobre commodities e aversão ao risco global.
"O balanço de riscos, portanto, justifica uma postura conservadora mais duradoura".
A projeção de inflação para 2026 também foi revisada: de 5,3% para 5,5%, incorporando parte do risco climático do El Niño, que tem potencial de pressionar alimentos na cesta de produtos.
Para 2027, a projeção é de 4,3%, mas com viés de alta.
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Por outro lado, o crescimento da economia vai no caminho inverso em 2026, de 1,5% para 2,0%, refletindo uma atividade doméstica que surpreendeu positivamente no início do ano.
"O impulso fiscal, e principalmente parafiscal, segue sustentando a demanda em ritmo acima do esperado", explica o economista do ASA.