Entra em vigor nesta quarta-feira (22) a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre uma parcela expressiva das importações procedentes do Brasil.
O tarifaço, oficializado na última quarta-feira (15) pelo governo do presidente Donald Trump após investigações conduzidas pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA), encarece a entrada de milhares de mercadorias brasileiras no mercado norte-americano.
Enquanto o governo classifica as barreiras como injustas e sem fundamento técnico, o foco estratégico passou a ser a redução dos danos econômicos sem fechar as portas para o diálogo.
Jeferson Bittencourt, head de macroeconomia do ASA, avalia que governo passou a tratar a crise como um desafio simultaneamente econômico e político.
Na visão dele, a estratégia é evitar uma escalada na guerra comercial e intensificar o diálogo com os setores afetados.
Para isso, novas linhas de crédito para exportadores, possível ampliação do programa Brasil Soberano e missões comerciais para abertura de mercados, com destaque para a Índia, são consideradas.
"Politicamente, o Planalto busca explorar ao máximo seu papel como defensor da soberania. Para o público externo, busca transmitir serenidade e reforçar a imagem de que prioriza soluções negociadas, ao mesmo tempo em que acompanha os efeitos sobre o emprego e a competitividade", diz Bittencourt.
Dados preliminares do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) indicam que a sobretaxa atinge sobretudo setores da indústria exportadora.
Embora a lista original abrangesse mais de quatro mil itens, a publicação da lista definitiva de exceções na semana passada preservou cerca de dois mil produtos classificados como estratégicos ou essenciais para evitar desabastecimento e pressão inflacionária nos próprios Estados Unidos.
"A expectativa é calibrar eventuais medidas de apoio somente após um diagnóstico mais preciso dos setores atingidos e da definição sobre novas tarifas relacionadas ao tema do trabalho forçado, aguardada nos próximos dias".
Com a entrada em vigor das tarifas, o governo federal monitora os desdobramentos sobre o nível de emprego e a competitividade externa das empresas afetadas.
Novas diretrizes de apoio financeiro e comercial deverão ser anunciadas nas próximas semanas, à medida que o impacto real da barreira comercial se reflita no território brasileiro.
LEIA TAMBÉM: Especialistas do ASA debatem o cenário macro e de investimentos na Expert XP 2026