O governo dos Estados Unidos oficializou, nesta quarta-feira (15), a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de importações provenientes do Brasil.
A medida, que entra em vigor no dia 22 de julho, é resultado de uma investigação conduzida pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA).
A decisão do governo Trump é justificada por alegações de "práticas comerciais desleais". Entre os pontos de atrito citados pelo governo americano estão o funcionamento do Pix, as políticas de acesso ao mercado de etanol, além de preocupações relacionadas à corrupção e ao desmatamento ilegal.
Em resposta, o governo brasileiro repudiou a medida e sinalizou que pretende acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso no ano passado, além de levar o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC (Organização Mundial do Comércio), sem fechar o canal do diálogo.
O que deve acontecer?
A nova taxação tende a elevar os custos para importadores e consumidores nos Estados Unidos, o que pode reduzir a competitividade de diversos produtos brasileiros exportados ao país.
Apesar do cenário de tensão, o economista Leonardo Costa, do ASA, traz uma leitura ponderada sobre os efeitos dessa medida.
Segundo ele, a exceção que preservou produtos relevantes como café, carne, suco de laranja, partes de aeronaves e ferro torna a decisão menos abrangente do que se temia inicialmente.
"Ainda assim, cerca de 40% das exportações brasileiras aos EUA podem ser afetadas. A avaliamos que o impacto sobre a balança comercial brasileira tende a ser pequeno e compensado pelo aumento do preço das commodities, no curto prazo".
Ele explica que, desde a primeira onda de tarifas, parte das exportações brasileiras já vem sendo redirecionada para outros mercados, reduzindo a dependência do mercado americano.
Além disso, o cenário externo tem favorecido o Brasil por meio da alta do petróleo e de outras commodities, impulsionadas tanto pela incerteza gerada pela política comercial dos EUA quanto pela continuidade das tensões no Oriente Médio.
Esses fatores ajudam a amortecer parte dos efeitos negativos do tarifaço sobre o comércio exterior brasileiro, que caminha para um superávit elevado em 2026.
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