A economia dos Estados Unidos mantém sua hegemonia na atração de capital global devido a uma combinação de segurança institucional e resultados corporativos superiores. A avaliação é do head global de investimentos do ASA, Charles Ferraz.
Enquanto outras regiões lutam para encontrar tração, o mercado americano apresenta uma trajetória de crescimento de lucros robusta, com expectativas de dois dígitos que não se repetem em outros mercados.
Para Ferraz, embora o cenário econômico seja marcado por incertezas, o otimismo se sustenta na performance real das empresas.
“A economia vai bem, apesar de uma série de ruídos o tempo todo”, afirma o executivo.
Essa confiança se estende ao setor de tecnologia, que, segundo head do ASA, está longe de formar uma bolha. Ferraz justifica a valorização das ações pelo desempenho operacional das companhias, afirmando que o fenômeno ocorre “pelo simples motivo de que as companhias estão entregando um baita resultado”.
Ele estima que, apenas pela manutenção dos múltiplos atuais, as ações listadas nos EUA ainda possuem um potencial de valorização entre 8% e 10%. Grande parte dessa perspectiva otimista recai sobre a Inteligência Artificial, que deve receber investimentos massivos nos próximos anos.
No entanto, ele pondera que o setor ainda tem muito a crescer.
"Quando se olha para o tema, o índice de penetração da IA é muito baixo. Os desafios para o mercado vão continuar, sem dúvida, em relação a como financiar isso. Tem um momento em que governo e empresas estão disputando esses recursos da sociedade".
O executivo avalia o cenário fiscal e monetário americano com cautela, mas sem alarmismo imediato. Embora o endividamento seja elevado, ele aponta que o investidor local continua privilegiando a bolsa, já que a renda fixa nos EUA oferece ganhos reais negativos devido à tributação e à inflação.
Essa dinâmica torna a bolsa uma opção quase mandatória para quem busca retorno.
Apesar disso, o ASA mantém uma postura defensiva em relação a prazos longos, preferindo evitar posicionamentos em juros de longo prazo enquanto não houver sinais mais claros sobre o comportamento dos investidores em títulos públicos e o desenrolar da política fiscal no país.
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