Macroeconomia

Inflação nos EUA desacelera e mercado revisa projeções

O dado consolidado mostrou uma queda de 0,4% na margem, movimento que reflete tanto o recuo nos preços de energia quanto uma melhora dos núcleos de inflação
14 de julho de 2026

O CPI (Índice de Preços ao Consumidor) dos Estados Unidos apresentou um alívio em junho de 2026, com números que surpreenderam positivamente o mercado financeiro e levantaram novas discussões sobre os próximos passos do Fed (Federal Reserve), o banco central americano.

O dado consolidado mostrou uma queda de 0,4% na margem, abaixo do recuo de 0,1% esperados amplamente pelo mercado. O movimento reflete tanto o recuo nos preços de energia quanto uma melhora no comportamento dos núcleos de inflação.

Em termos anuais, a inflação cheia caiu de 4,2% para 3,5%, enquanto o núcleo do índice recuou de 2,9% para 2,6%.

Para Andressa Durão, economista do ASA, o dado reflete uma mudança importante no cenário inflacionário, especialmente no setor de serviços, que vinha sendo o maior ponto de preocupação nos meses anteriores.

A especialista destaca que a queda na inflação de serviços foi ampla.

"A desaceleração em Serviços foi disseminada e a medida 'supercore', que exclui a parte da inflação relacionada a aluguéis, surpreendeu ainda mais para baixo. Aluguéis vieram praticamente em linha, enquanto várias outras categorias de serviços, como hospedagem fora de casa, seguro de veículos, serviços de tecnologia, serviços médicos e passagens aéreas, exerceram pressão de baixa", afirma Durão.

Impacto nas projeções

Com a divulgação do índice, o mercado financeiro começou a ajustar suas projeções para o PCE, a métrica de inflação preferida do banco central americano.

"As casas estão revisando suas estimativas de núcleo do PCE para o mês de junho bem para baixo após a divulgação do CPI de hoje", aponta a economista.

No entanto, ela ressalta que o cenário ainda requer cautela antes de uma mudança de rumo. "É importante, no entanto, aguardar a divulgação do PPI de amanhã para consolidar as estimativas, já que o número pode alterar a direção das revisões."

Sobre a postura do Federal Reserve, Durão observa que o dado é positivo, mas não deve gerar uma mudança imediata na estratégia de juros.

"A desaceleração da inflação não relacionada ao conflito no Oriente Médio é uma notícia positiva, após vários meses de inflação de serviços pressionada. Para a política monetária, o dado de hoje aponta para a adoção de maior cautela por parte do Fed".

No entanto, ela explica que é cedo para assumir uma reversão do movimento de persistência da inflação apenas com um único dado, mas a informação sugere que o Fed deve esperar por mais dados antes de agir.

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