O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação oficial do Brasil, registrou alta de 0,16% em junho. O resultado, divulgado nesta sexta-feira (10), aponta para uma desaceleração na comparação com maio, quando o índice marcou 0,58%.
Com o dado de junho, a inflação acumulada no ano atinge 3,36%, enquanto no acumulado de 12 meses o índice recuou para 4,64%, frente aos 4,72% registrados na leitura anterior.
O resultado veio abaixo das expectativas do ASA, que projetava uma alta de 0,28%.
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O que pesou
O principal fator para a surpresa de baixa foi o grupo de Alimentação e Bebidas, que recuou 0,24% após ter avançado 1,33% em maio. A queda foi puxada, principalmente, pelos itens de alimentação no domicílio, com destaque para o café moído (-3,72%), frutas (-1,58%) e carnes (-0,64%).
Por outro lado, o grupo Habitação exerceu a maior pressão de alta, com variação de 0,63%, impulsionado pelo reajuste de 1,53% na energia elétrica residencial, refletindo o efeito de bandeiras tarifárias e reajustes regionais. Em Transportes, o aumento de 7,12% nas passagens aéreas neutralizou a queda de 0,48% nos combustíveis.
Para o economista do ASA, Leonardo Costa, o resultado traz sinais positivos, mas não altera drasticamente o cenário desafiador para o Banco Central.
"As coletas já indicavam uma acomodação importante dos preços ao final de junho, mas esse movimento era esperado com mais força para julho. Para além dos itens mais voláteis, a inflação subjacente também mostrou sinais de melhora, com a média dos núcleos registrando a menor variação mensal desde setembro de 2025."
Costa destaca que, embora o núcleo de serviços tenha apresentado um arrefecimento bem-vindo, especialmente no setor de alimentação fora do domicílio, o cenário ainda exige cautela.
"Por outro lado, o núcleo de bens segue operando em patamar relativamente elevado, com pressão ainda disseminada e possíveis efeitos de segunda ordem associados ao choque anterior de petróleo. Para o Banco Central, o resultado representa um alívio moderado, mas insuficiente para alterar de forma relevante o diagnóstico de política monetária."
Expectativas para a política monetária
Apesar da surpresa positiva, o economista reforça que o cenário macroeconômico permanece complexo.
"A inflação segue acima do teto do regime de metas, as expectativas permanecem desancoradas e a atividade doméstica continua resiliente", observa Costa.
Ainda assim, o dado de junho abre espaço para uma mudança tática na próxima decisão do Copom (Comitê de Política Monetária).
"De todo modo, cresce a chance de o BC voltar a cortar 0,25 ponto percentual na reunião do Copom de agosto", conclui o economista.
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