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Investimentos

Renda fixa: Como aproveitar os juros reais próximos de 9% no cenário atual

Com a inflação em alta e a Selic estável, títulos atrelados ao IPCA oferecem retornos históricos. Entenda a visão do ASA Alpha sobre essa janela de oportunidade
25 de junho de 2026

O cenário global, tensionado pelos efeitos secundários de conflitos geopolíticos, como a guerra entre os Estados Unidos e o Irã, voltou a pressionar a inflação em economias desenvolvidas e emergentes.

No Brasil, essa mudança de paradigma forçou o Banco Central a interromper o ciclo de cortes na taxa Selic, gerando uma onda de reprecificação na renda fixa.

Para Rodrigo Abreu, gestor dos fundos ASA Alpha, a guinada nas expectativas foi rápida e intensa.

"A rápida mudança de uma expectativa de cortes, ainda que graduais, para um cenário de estabilidade de juros por mais tempo provocou uma intensa reprecificação dos ativos de renda fixa", avalia o gestor.

Além das pressões inflacionárias externas, o cenário interno adiciona complexidade à equação.

O crescimento da dívida pública exige do Tesouro um volume crescente de emissões para financiar as contas do governo, o que pressiona os retornos pelo risco exigidos pelos investidores.

Segundo Abreu, esse ambiente de "atividade resistente" e inflação persistente impõe uma resposta clara da política monetária.

"Os efeitos secundários da guerra no Irã colocaram a alta de juros no radar das economias avançadas e também das emergentes. O avanço da inflação em um ambiente de atividade resistente impõe a necessidade de uma resposta em termos de política monetária", observa.

Janela de oportunidade na renda fixa

Diante deste contexto, o mercado voltou a precificar taxas de juros reais elevadas. Para o investidor que busca proteção contra a inflação, o momento é visto com otimismo.

"Nesse contexto, voltamos a observar juros reais próximos de 9%, quando consideramos, por exemplo, os títulos indexados à inflação com vencimento entre 2029 e 2035", destaca o gestor do ASA Alpha.

Abreu reforça que o patamar atual é historicamente relevante: "Quando fazemos um exercício no qual consideramos o histórico desses ativos com prazo de vencimento equivalentes a vencimentos de curto e médio prazo, estamos falando do maior nível de juro real observado nas últimas décadas."

Para aqueles que possuem liquidez e horizonte de longo prazo, a alocação em títulos atrelados ao IPCA (NTN-Bs) ganha destaque. A percepção é de um bom momento para aproveitar os prêmios atuais, seja através da compra direta dos papéis ou via fundos de investimento especializados.

"Acreditamos que estamos diante de uma importante janela de oportunidade para a alocação de recursos na classe de ativos indexados à inflação, que favorece investidores que dispõem de liquidez para carregar esses títulos por prazos mais longos", conclui Rodrigo Abreu.

Leia também: Por que essa é a hora do crédito privado atrelado à inflação?

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