Após o Banco Central levar a Selic a 14,25% na última decisão do Copom, na quarta-feira (17), o investidor se depara com um cenário onde a inflação, e não mais o juro nominal, se torna a variável de maior risco e complexidade.
Para analisar esse movimento, Thais Prado, head de fundos de crédito privado do ASA, destaca a preocupação com o reancoramento das expectativas inflacionárias.
"O principal motivo por trás dessa abreviação é a deterioração persistente do quadro inflacionário: as projeções de IPCA do Focus para 2026 acumulam 13 semanas consecutivas de revisão para cima, saindo de 4,06% no início de janeiro para 5,11%, já acima do teto da meta de 4,5%, enquanto a expectativa para 2027 também avançou, para 4,03%, afastando-se do centro de 3,0%", explica Prado.
Com as expectativas de inflação se afastando das metas estabelecidas, o investidor brasileiro precisa repensar suas alocações.
A alta contínua dos índices de preços corrói o poder de compra e coloca em xeque estratégias baseadas apenas em taxas prefixadas ou pós-fixadas simples.
O cenário externo, somado a pressões de oferta e combustíveis, cria um ambiente onde a proteção real do capital é a prioridade número um.
Diante deste pano de fundo, a head de fundos de crédito privado do ASA aponta que a tese de investir em ativos indexados à inflação deixa de ser uma escolha tática para se tornar um pilar estrutural nas carteiras.
Segundo a especialista, o mercado de crédito privado, especificamente em setores que oferecem benefícios fiscais, apresenta hoje uma das melhores relações de risco-retorno dos últimos tempos.
"É precisamente nesse papel que os ativos incentivados, em especial as debêntures e fundos de infraestrutura se destacam, oferecendo liquidez razoável, um nível de retorno mais bem ajustado no momento atual após uma correção recente e, dado o patamar elevado das taxas dos títulos públicos atrelados à inflação, uma isenção fiscal cujo valor em termos absolutos se encontra em níveis excelentes para o investidor."
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