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Investimentos

Os cuidados para investir no crédito privado em tempos de Selic alta

Com spreads esmagados e a taxa básica em alta, o ASA adota postura seletiva e foca em liquidez e preservação de capital para enfrentar a volatilidade
15 de junho de 2026

Ao montar uma estratégia de investimentos, uma das regras mais antigas do mercado financeiro dita que, para buscar retornos maiores, é preciso aceitar riscos maiores.

No entanto, o oposto também é verdadeiro: quando o retorno adicional oferecido por um ativo se torna pequeno demais para o tamanho do risco que ele carrega, a melhor decisão tática é dar um passo atrás.

É exatamente esse cenário de assimetria que justifica a postura do ASA no mercado de crédito privado (títulos de dívida emitidos por empresas, como debêntures, CRIs e CRAs).

Embora as estratégias do time do ASA Private mantenham uma posição forte em renda fixa pós-fixada para capturar o rendimento robusto dos juros elevados, a instituição financeira optou por reduzir os riscos específicos corporativos.

Rogério Freitas, head de gestão do ASA, explica a visão por trás dessa estratégia. "Dado que os spreads de crédito privado se encontram em níveis muito reduzidos, estamos taticamente menos expostos a esse risco".

Na prática, isso significa que, embora o investidor continue correndo o risco de crédito das empresas, o retorno extra que ele recebe por isso encolheu, deixando a relação risco-retorno desfavorável.

Essa dinâmica exige uma análise cirúrgica do cenário. O mercado de crédito privado passou por um forte rali, e a alta demanda esmagou os prêmios (os chamados spreads, que são a diferença entre a taxa da empresa e a taxa de um título público seguro).

Com as taxas reais em patamares historicamente elevados, a equipe de gestão prefere capturar esse momento através de ativos de menor volatilidade.

De acordo com Rogério Freitas, a manutenção de uma posição defensiva e líquida é fundamental para atravessar momentos de incerteza, mantendo o foco em emissores de altíssima qualidade.

"Todavia, mantemos uma postura extremamente cautelosa e seletiva em relação à qualidade do risco de crédito privado pós-fixado".

Essa seletividade é um pilar crucial em um ambiente onde a projeção para a taxa Selic no fim do ano foi revisada para cima, o que continua pressionando o custo financeiro das próprias empresas emissoras de dívida.

Ficar de fora ou reduzir a exposição a certas oportunidades não significa pessimismo, mas sim disciplina na execução e foco na preservação de capital.

As estratégias do ASA foram desenhadas para manter um perfil resiliente sem expor o cliente a riscos desnecessários.

Freitas reforça que o atual posicionamento tem o objetivo de proteger o patrimônio, mas também deixar a casa preparada para agir no momento certo.

"Acreditamos que as carteiras seguem alinhadas ao nosso cenário-base, posicionadas de modo equilibrado para aproveitar oportunidades mantendo um bom nível de resiliência para enfrentar a volatilidade esperada para o período à frente".

O objetivo central, portanto, é garantir um "bom carrego, risco adequado e controlado e bem posicionado para aproveitar oportunidades mais adiante, caso os agentes de mercado tenham reações exageradas".

Leia também: Mercado aponta Selic maior do que o esperado no fim do ano

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