Em momentos de incerteza econômica, a segurança do curto prazo costuma se destacar, em comparação com o longo prazo.
Segundo o boletim mais recente da Anbima, os títulos públicos com vencimentos mais próximos registraram as melhores rentabilidades, enquanto os papéis de prazos mais longos sofreram quedas significativas, refletindo um comportamento de "aversão ao risco" por parte dos investidores.
Para entender o que aconteceu, primeiro é preciso compreender que o mercado de títulos públicos não é estático. Quando se fala em "marcação a mercado", os agentes estão se referindo ao preço que esses títulos teriam caso fossem vendidos hoje.
Em junho, o índice que acompanha os títulos prefixados de curto prazo (até um ano) subiu 1,14%. No mesmo caminho, os papéis atrelados à Selic também apresentaram um retorno significativo, de 1,12%.
Por outro lado, o cenário foi bem diferente para os investimentos de longo prazo, especialmente aqueles atrelados à inflação com vencimentos longos. O índice que mede esses títulos registrou uma queda de 2,05% no mês.
Mas por que essa diferença?
Quando surgem dúvidas sobre o cenário doméstico, como a proximidade das eleições, por exemplo, e incertezas no cenário internacional, o investidor tende a se tornar mais cauteloso.
Como ninguém quer arriscar deixar o dinheiro travado por muitos anos em um ambiente incerto, a demanda pelos títulos de longo prazo cai, o que acaba derrubando o preço desses papéis no curto prazo.
Por outro lado, a procura por títulos de curto prazo aumenta, já que eles oferecem um porto seguro com liquidez mais rápida e menor oscilação.
O mercado de títulos corporativos, que envolve debêntures emitidas por empresas, seguiu uma lógica semelhante.
O destaque positivo ficou com as debêntures que pagam taxas baseadas no CDI, que subiram 1,23% em junho, refletindo a preferência por ativos que acompanham a evolução imediata dos juros da economia.
Em contrapartida, as debêntures que pagam inflação tiveram um desempenho mais contido ou negativo, acompanhando o movimento de estresse dos títulos públicos de prazos maiores, ainda de acordo com dados da Anbima.
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