Investimentos

Fundos de infraestrutura: por que vale a pena dar atenção a eles agora?

Enquanto o mercado registra saídas, especialista do ASA enxerga uma janela estratégica de entrada
08 de julho de 2026

O mercado de crédito privado brasileiro vive um momento de aparente contradição, onde o consenso de spreads apertados (ou seja, a diferença entre a taxa oferecida e as taxas dos títulos públicos) mascara oportunidades em nichos específicos.

Durante boa parte do ano, papéis de primeira linha operou em patamares reduzidos, o que acabou ocultando o potencial estratégico dos fundos de infraestrutura no cenário atual.

Para Thais Prado, head de fundos de crédito privado do ASA, a chave para entender o cenário está na estrutura tributária e na atratividade da taxa real.

"A taxa de juros real está num nível muito atrativo e, com a comparação entre ativos isentos ou não do IR, a taxa passa de 11% ao ano, cerca de 3,5 pontos percentuais acima da média histórica de 7,60 ponto percentual".

Ela explica que, como o ativo é isento de pagamento do imposto de renda, esse ganho fiscal "mais do que compensa a compressão do prêmio de crédito", permitindo ao investidor travar uma taxa real elevada enquanto aguarda uma futura valorização.

Saída de capital

Esse cenário favorável, contudo, destoa do comportamento recente da indústria, que registrou saídas significativas de recursos nos últimos meses, um reflexo dos resultados negativos causados pela abertura das taxas das NTN-Bs (os títulos públicos indexados à inflação).

Prado explica que "é justamente essa abertura recente que propicia o excelente momento para montar ou aumentar posição nessa classe de ativo".

A gestora reforça que o mercado pode estar reagindo de forma tardia a uma volatilidade que, na verdade, abriu janelas de entrada vantajosas.

Por fim, é fundamental que o investidor saiba diferenciar as estratégias disponíveis antes de tomar uma decisão. A especialista ressalta que o racional não se aplica aos fundos de infraestrutura que realizam a proteção do risco, pois "esses, por construção, não vão surfar o fechamento do juro real quando ele ocorrer".

Portanto, para aqueles que buscam capturar o ganho de capital com a eventual queda dos juros reais, "o momento de entrada nos fundos que carregam o risco de mercado da NTN-B é particularmente atrativo".

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