O caminho natural da economia brasileira é de uma "repressão financeira", ou seja, quando governos, pressionados por dívidas elevadas, precisam manter taxas de juros reais abaixo da inflação para reduzir o endividamento.
Essa é a leitura de Rogério Freitas, head de investimentos do ASA, e que foi tema de reportagem no Valor Econômico desta semana.
Segundo o gestor, essa dinâmica cria um ambiente em que o governo precisa que a inflação seja um pouco maior que a taxa de juros para que a dívida real caia.
Essa política, contudo, gera consequências diretas na precificação de ativos e no comportamento do mercado global. Assim, os investidores são forçados a migrar para ativos de maior risco em busca de retorno.
"O ambiente de repressão financeira favorece compressão do retorno pelo risco, elevação de bolsa e suas ações, elevação de fechamento de spread de high yield e de high grade (diferença das taxas oferecidas por empresas com alto rendimento ou sólidas para a taxa básica de juros)".
A leitura do ASA é de que essa compressão de riscos, motivada pela liquidez abundante e pela necessidade de rendimento, deve persistir enquanto os fundamentos fiscais globais não sofrerem uma mudança drástica.
O gestor enfatiza que, embora a situação pareça confortável para ativos de risco, se trata de um movimento impulsionado por uma necessidade sistêmica de manter o custo da dívida contido. "O mundo está sendo inundado por essa tese de repressão financeira", afirma Freitas.
Para navegar nesse cenário, os ativos reais e em posições que oferecem proteção contra a inflação pode ser um bom caminho.
Freitas pontua que a alocação atual em NTN-Bs (títulos atrelados à inflação) reflete a expectativa de que o mercado continuará recompensando a exposição a ativos que não dependem estritamente da expansão de múltiplos de avaliação, mas sim da geração de valor real.
Ao olhar para o horizonte de investimentos, o ASA mantém um posicionamento de vigilância, reconhecendo que o fim da repressão financeira dependeria de uma mudança na postura dos bancos centrais ou de um choque fiscal externo.
Até lá, a tese de "investir para sobreviver" à desvalorização monetária permanece como o guia para o portfólio.
"Estamos com uma posição um pouco acima do neutro em pós-fixados e também acima do neutro em NTN-Bs. Em bolsa, mantemos uma posição neutra. Já em multimercados, estamos levemente abaixo do neutro".
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