Investimentos

O que é "repressão financeira" e como proteger seu patrimônio?

Entenda como a estratégia de manter juros reais abaixo da inflação para conter dívidas públicas está moldando o mercado global e forçando investidores a migrarem para ativos de risco
07 de julho de 2026

O caminho natural da economia brasileira é de uma "repressão financeira", ou seja, quando governos, pressionados por dívidas elevadas, precisam manter taxas de juros reais abaixo da inflação para reduzir o endividamento.

Essa é a leitura de Rogério Freitas, head de investimentos do ASA, e que foi tema de reportagem no Valor Econômico desta semana.

Segundo o gestor, essa dinâmica cria um ambiente em que o governo precisa que a inflação seja um pouco maior que a taxa de juros para que a dívida real caia.

Essa política, contudo, gera consequências diretas na precificação de ativos e no comportamento do mercado global. Assim, os investidores são forçados a migrar para ativos de maior risco em busca de retorno.

"O ambiente de repressão financeira favorece compressão do retorno pelo risco, elevação de bolsa e suas ações, elevação de fechamento de spread de high yield e de high grade (diferença das taxas oferecidas por empresas com alto rendimento ou sólidas para a taxa básica de juros)".

A leitura do ASA é de que essa compressão de riscos, motivada pela liquidez abundante e pela necessidade de rendimento, deve persistir enquanto os fundamentos fiscais globais não sofrerem uma mudança drástica.

O gestor enfatiza que, embora a situação pareça confortável para ativos de risco, se trata de um movimento impulsionado por uma necessidade sistêmica de manter o custo da dívida contido. "O mundo está sendo inundado por essa tese de repressão financeira", afirma Freitas.

Para navegar nesse cenário, os ativos reais e em posições que oferecem proteção contra a inflação pode ser um bom caminho.

Freitas pontua que a alocação atual em NTN-Bs (títulos atrelados à inflação) reflete a expectativa de que o mercado continuará recompensando a exposição a ativos que não dependem estritamente da expansão de múltiplos de avaliação, mas sim da geração de valor real.

Ao olhar para o horizonte de investimentos, o ASA mantém um posicionamento de vigilância, reconhecendo que o fim da repressão financeira dependeria de uma mudança na postura dos bancos centrais ou de um choque fiscal externo.

Até lá, a tese de "investir para sobreviver" à desvalorização monetária permanece como o guia para o portfólio.

"Estamos com uma posição um pouco acima do neutro em pós-fixados e também acima do neutro em NTN-Bs. Em bolsa, mantemos uma posição neutra. Já em multimercados, estamos levemente abaixo do neutro".

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