Diante da melhora recente no cenário inflacionário e de sinais mais claros de desaquecimento da economia, o ASA revisou suas projeções macroeconômicas e passou a prever um corte adicional de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na reunião de agosto do Copom (Comitê de Política Monetária), o que levaria a taxa básica de juros a 14% até o final do ano.
De acordo com o time de macroeconomia da instituição financeira, o Copom deve explorar a conjuntura favorável de curto prazo para justificar a medida.
Nos últimos meses, o mercado registrou deflação nos preços de alimentos impulsionada por fatores sazonais, a devolução parcial do choque gerado pelo petróleo sobre os combustíveis e uma acomodação gradual dos núcleos de serviços, que, embora continuem em patamares elevados, exibem uma trajetória benigna no horizonte mais próximo.
Além disso, o conjunto de indicadores do segundo trimestre de 2026 e os dados antecedentes do início do terceiro trimestre apontam para um arrefecimento mais intenso da atividade econômica.
A avaliação do cenário-base é de que o Banco Central vai cortar a taxa básica de juros em agosto e, logo em seguida, indicará a interrupção do ciclo de flexibilização monetária.
No entanto, caso o panorama econômico continue a apresentar melhoras, o comitê poderá voltar a avaliar novos cortes.
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Ambiente de incerteza
Apesar da melhora na inflação corrente, a decisão do Copom ocorrerá em um contexto de cautela, já que as expectativas de inflação de médio prazo continuam em ritmo de alta, com destaque para o horizonte de 2028, que ganha relevância para o Banco Central a partir de agosto, após menção prévia na reunião de junho.
Além disso, o cenário externo, impulsionado pela retomada das hostilidades entre Estados Unidos e Irã, pela alta nos preços internacionais do petróleo e pelo aumento generalizado na volatilidade dos ativos globais, torna o espaço para a comunicação do Banco Central limitados a um ajuste residual de 0,25 ponto percentual.
Ainda de acordo com a equipe de macroeconomia do ASA, a projeção do IPCA para 2026 foi revisada de 5,5% para 5,0%.
"A principal razão é o comportamento mais favorável da inflação no curto prazo, com alimentos ajudados pela sazonalidade, combustíveis beneficiados pela devolução parcial do choque do petróleo e pela estratégia da Petrobras e do governo (via manutenção das subvenções para os combustíveis) de suavizar repasses ao consumidor".
Para 2027, foi mantida a projeção em 4,3%, com manutenção dos riscos para inflação, com destaque para o El Niño, que deve afetar a inflação no quarto trimestre de 2026 e no primeiro trimestre de 2027.
No âmbito da atividade econômica, a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para 2026 foi mantida em 2,0%, mas a estimativa para 2027 sofreu revisão de alta para baixa, passando de 2,0% para 1,5%.
"A desaceleração decorre da expectativa de uma ressaca dos estímulos fiscais e parafiscais observados em 2026, reduzindo o impulso à demanda em um ambiente que ainda deverá conviver com juros reais elevados e menor sustentação da política econômica ao crescimento", diz a equipe de macroeconomia.