Aconteceram nesta semana em Wasghington D.C., nos Estados Unidos, as reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Nos encontros de grandes bancos, o tema que permeou as discussões foi o conflito no Oriente Médio e os consequentes impactos para commodities e política monetária.

Embora haja uma expectativa majoritária de taxa juros parada nos EUA no patamar atual (de 3,50% a 3,75%), cresceram as apostas de que o próximo movimento do Federal Reserve seja o de alta, não o de corte de juros.

Andressa Durão, economista do ASA, que participou de reuniões durante o evento em Wasghington D.C., diz que membros do governo justificam que o choque será temporário, enquanto economistas apontam para os riscos de efeitos permanentes.

"A maioria tem uma visão estagflacionária para a economia americana. Ninguém espera uma recessão e não há preocupação com o mercado de trabalho", diz Andressa.

Segundo ela, há uma visão majoritária de que investimentos em inteligência artificial continuam e que levam a um aumento de produtividade.

Cenário para EUA

A independência do Fed não foi um tema em discussão e a maioria não acredita que Kevin Warsh, sucessor de Jerome Powell, terá grande influência nas decisões de política monetária do Fed.

Para as eleições de meio de mandato, as expectativas para o Senado estão bem divididas entre Democratas e Republicanos, depois dos conflitos no Oriente Médio.

"Com os preços pressionados, o reflexo é uma política monetária nos EUA mais apertada do que o esperado anteriormente ao conflito. Ou seja, vamos ver o Fed mantendo os juros. Agora, é um consenso entre economistas que o Fed deve manter os juros e que, talvez o próximo movimento possa até ser o de alta, não mais de queda dos juros", diz Andressa.

E completa: "De fato, a guerra trouxe uma narrativa que mudou o cenário para a política monetária americana e não há uma preocupação com a atividade no Ocidente."

Gasolina

Com o foco das conversas recaindo sobre o conflito no Irã, ganhou destaque o debate sobre como será o retorno à normalidade da cadeia do petróleo.

Segundo o que foi discutido, será muito difícil resgatar o nível de oferta anterior ao conflito. Isso pode levar meses, talvez até anos, e há uma preocupação com o fato de os preços de energia serem mantidos sob pressão por algum tempo.

"Os mercados podem até reagir de uma forma muito otimista e derrubar os preços com as notícias positivas sobre o tema, mas há um entendimento de que vai ser difícil retomar esse nível anterior de oferta", diz.