Macroeconomia

FMI: o que economistas esperam para o rumo da gasolina e dos juros nos EUA?

Reuniões, que aconteceram nesta semana em Wasghington D.C., nos Estados Unidos, tiveram como tema principal o conflito no Oriente Médio
17 de abril de 2026

Aconteceram nesta semana em Wasghington D.C., nos Estados Unidos, as reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Nos encontros de grandes bancos, o tema que permeou as discussões foi o conflito no Oriente Médio e os consequentes impactos para commodities e política monetária.

Embora haja uma expectativa majoritária de taxa juros parada nos EUA no patamar atual (de 3,50% a 3,75%), cresceram as apostas de que o próximo movimento do Federal Reserve seja o de alta, não o de corte de juros.

Andressa Durão, economista do ASA, que participou de reuniões durante o evento em Wasghington D.C., diz que membros do governo justificam que o choque será temporário, enquanto economistas apontam para os riscos de efeitos permanentes.

"A maioria tem uma visão estagflacionária para a economia americana. Ninguém espera uma recessão e não há preocupação com o mercado de trabalho", diz Andressa.

Segundo ela, há uma visão majoritária de que investimentos em inteligência artificial continuam e que levam a um aumento de produtividade.

Cenário para EUA

A independência do Fed não foi um tema em discussão e a maioria não acredita que Kevin Warsh, sucessor de Jerome Powell, terá grande influência nas decisões de política monetária do Fed.

Para as eleições de meio de mandato, as expectativas para o Senado estão bem divididas entre Democratas e Republicanos, depois dos conflitos no Oriente Médio.

"Com os preços pressionados, o reflexo é uma política monetária nos EUA mais apertada do que o esperado anteriormente ao conflito. Ou seja, vamos ver o Fed mantendo os juros. Agora, é um consenso entre economistas que o Fed deve manter os juros e que, talvez o próximo movimento possa até ser o de alta, não mais de queda dos juros", diz Andressa.

E completa: "De fato, a guerra trouxe uma narrativa que mudou o cenário para a política monetária americana e não há uma preocupação com a atividade no Ocidente."

Gasolina

Com o foco das conversas recaindo sobre o conflito no Irã, ganhou destaque o debate sobre como será o retorno à normalidade da cadeia do petróleo.

Segundo o que foi discutido, será muito difícil resgatar o nível de oferta anterior ao conflito. Isso pode levar meses, talvez até anos, e há uma preocupação com o fato de os preços de energia serem mantidos sob pressão por algum tempo.

"Os mercados podem até reagir de uma forma muito otimista e derrubar os preços com as notícias positivas sobre o tema, mas há um entendimento de que vai ser difícil retomar esse nível anterior de oferta", diz.

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