O prolongamento do conflito no Oriente Médio, ainda sem uma resolução à vista, tem contribuído para uma forte valorização das commodities, em especial o petróleo, levando o mercado a revisar para cima suas projeções para a inflação.
No final de semana, os contratos futuros do barril do tipo Brent, usado como referência internacional, dispararam e voltaram a superar os US$ 100. A alta veio após as reuniões entre Estados Unidos e Paquistão terminarem sem consenso.
E o movimento continua nesta segunda-feira (13), com o mercado repercutindo falas do presidente Donald Trump de que a Marinha dos EUA irá bloquear todos os navios que tentarem entrar ou sair do Estreito de Ormuz a partir de hoje.
O Estreito de Ormuz é extremamente importante para o mercado global de commodities. Por lá, passam cerca de 20% do fornecimento global de petróleo e gás natural liquefeito (GNL).
Neste contexto, o aumento dos preços da commodity se estende para toda uma cadeia, contaminando custos de frete, logística e produção agrícola, e já começa a aparecer nos alimentos.
Diante deste contexto, o time de macroeconomia do ASA revisou o cenário para a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em 2026. A projeção subiu de 4,6% para 5,0%.
Além da contaminação para os demais setores da economia, Leonardo Costa, economista do ASA, destaca que há um segundo vetor de preocupação que independe da geopolítica: os núcleos de serviços seguem resistindo em patamar elevado.
Isso acontece enquanto a inflação de bens industrializados, a despeito da valorização do real, voltou a acelerar na média móvel de três meses.
"A combinação de um choque externo de custos com uma dinâmica interna de serviços ainda pressionada é o cenário menos favorável para a convergência da inflação à meta", diz Costa.
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