Macroeconomia

O que esperar para o preço da gasolina com o conflito no Oriente Médio

Choques de oferta em meio ao conflito têm elevado os preços dos combustíveis no Brasil; Economista traça cenário
30 de março de 2026

O prolongamento do conflito no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz têm levado a choques de oferta, elevando os preços dos combustíveis pelo mundo. E no Brasil não é diferente.

Apesar da ausência de aumentos da Petrobras para a gasolina, o preço dos combustíveis ainda avança.

Leonardo Costa, economista do ASA, destaca que isso acontece porque a formação de preços dos combustíveis no Brasil é descentralizada e responde a outros vetores além da refinaria.

A alta do petróleo elevou os custos ao longo da cadeia e isso vem sendo parcialmente repassado via margens de distribuição e revenda. Tem ainda a mistura com o etanol (no caso da gasolina) e a atuação de refinadores privados.

Em um ambiente de incerteza global, os postos de gasolina também tendem a operar com preços mais próximos do teto, acelerando o repasse mesmo sem a “canetada” da Petrobras.

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No diesel, a dinâmica é mais crítica. A Petrobras mantém preços abaixo da paridade internacional, o que desincentiva importações privadas, essenciais para cerca de 30% do abastecimento.

A defasagem elevada, mesmo com subsídio do governo, fez as compras externas caírem fortemente e reduziu a oferta no mercado.

Costa diz esperar um aumento de 7,5% da gasolina nas distribuidoras no curto prazo. Embora seja insuficiente para cobrir a conta da defasagem, considera o risco de reajuste pela Petrobras.

"A normalização dos preços parece distante, mesmo em caso do esfriamento do conflito. Ainda observamos piora na conta da defasagem, indicando pressão crescente por um reajuste do preço doméstico", diz Costa.

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