Macroeconomia

O impacto do conflito no Oriente Médio no agronegócio brasileiro

Grande dependência de combustíveis como diesel e gás natural expõe fragilidade do Brasil; país importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome
23 de março de 2026

O conflito no Oriente Médio, que já se estende por cerca de 24 dias, tem elevado o prêmio de risco geopolítico e contribuído para a forte volatilidade dos preços internacionais, trazendo um risco sistêmico ao agronegócio brasileiro sobretudo via fertilizantes.

Isso porque ameaça rotas críticas, caso do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do fornecimento global de petróleo e gás natural, principal matéria-prima dos fertilizantes nitrogenados.

O movimento contribui para o aumento nos preços de fretes e gera gargalos logísticos, além de forte volatilidade de preços.

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Do lado dos combustíveis, o aumento do petróleo encarece o diesel, que é de extrema importância para operações agrícolas, transporte interno da produção e logística de exportação.

No caso dos fertilizantes, o Oriente Médio responde por mais de 40%
das exportações globais de ureia, principal nitrogenado. O fertilizante já acumula alta de 20% a 35%, pressionado também pelo encarecimento do gás natural.

O quadro é agravado pelas restrições de exportação da China, que busca priorizar o mercado doméstico. Isso reduzir a oferta global, intensificando a competição entre importadores.

"Nesse contexto, o Brasil se mostra especialmente vulnerável por importar cerca de 85% dos fertilizantes que consome, com relatos de risco de déficit de oferta ainda em 2026", destaca Jeferson Bittencourt, head de macroeconomia do ASA.

Efeitos para o mercado brasileiro

Segundo Bittencourt, os efeitos são duplos: no curto prazo, é esperada uma compressão das margens dos produtores, com insumos subindo mais do que as commodities.

Já no médio prazo, a avaliação é de que há uma possível redução do uso de fertilizantes, com impacto direto sobre a produtividade, especialmente em culturas intensivas.

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