Macroeconomia

Payroll surpreende o mercado: o que esperar dos juros nos EUA?

Setor privado impulsiona geração de vagas acima do esperado em abril, mas recuo na força de trabalho e tensões no Oriente Médio elevam cautela do Fed sobre a trajetória dos juros nos EUA
08 de maio de 2026

O mercado de trabalho dos Estados Unidos apresentou um vigor acima do esperado em abril, impulsionado por uma surpresa positiva relevante no setor privado.

Os dados do Payroll, divulgados nesta sexta-feira (08), vieram acompanhados de uma leve revisão de alta nos números de março, embora o ajuste para baixo no dado de fevereiro tenha sido mais expressivo.

Com o novo balanço, a média móvel trimestral da criação de vagas no setor privado situou-se em 55 mil, desacelerando em relação aos 74 mil registrados no fechamento de março.

A despeito da força na abertura de postos, a pesquisa por domicílios (Household Survey) revelou nuances sobre a ociosidade da mão de obra. A taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3%, em linha com as projeções do mercado.

No entanto, essa estabilidade foi reflexo de uma nova contração na força de trabalho, enquanto o nível de emprego total registrou um recuo significativo.

No campo dos rendimentos, os salários mostraram aceleração no acumulado de 12 meses, mas o ritmo de avanço ainda frustrou o consenso, vindo abaixo do que era esperado pelos analistas.

Para o Fed (Federal Reserve), o relatório sugere um cenário de equilíbrio delicado. Na avaliação de Andressa Durão, economista do ASA, os dados reforçam a percepção de uma economia resiliente e distante de uma recessão iminente, mas sem o aperto excessivo que poderia pressionar a inflação de forma descontrolada.

"O relatório mostra um mercado de trabalho ainda resiliente, sem sinais de recessão, mas também não suficientemente apertado para gerar riscos inflacionários relevantes", afirma a economista.

Apesar da leitura mista, o horizonte para a política monetária permanece cauteloso. Segundo Durão, o cenário base para a taxa de juros nos EUA segue sendo de manutenção ao longo deste ano. Contudo, variáveis exógenas podem alterar essa rota.

"Os riscos para a inflação decorrentes do prolongamento do conflito no Oriente Médio aumentam a probabilidade de alta de juros", pondera a economista, sinalizando que a autoridade monetária deve monitorar de perto os choques de oferta globais.

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