O mercado de trabalho dos Estados Unidos apresentou um vigor acima do esperado em abril, impulsionado por uma surpresa positiva relevante no setor privado.
Os dados do Payroll, divulgados nesta sexta-feira (08), vieram acompanhados de uma leve revisão de alta nos números de março, embora o ajuste para baixo no dado de fevereiro tenha sido mais expressivo.
Com o novo balanço, a média móvel trimestral da criação de vagas no setor privado situou-se em 55 mil, desacelerando em relação aos 74 mil registrados no fechamento de março.
A despeito da força na abertura de postos, a pesquisa por domicílios (Household Survey) revelou nuances sobre a ociosidade da mão de obra. A taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3%, em linha com as projeções do mercado.
No entanto, essa estabilidade foi reflexo de uma nova contração na força de trabalho, enquanto o nível de emprego total registrou um recuo significativo.
No campo dos rendimentos, os salários mostraram aceleração no acumulado de 12 meses, mas o ritmo de avanço ainda frustrou o consenso, vindo abaixo do que era esperado pelos analistas.
Para o Fed (Federal Reserve), o relatório sugere um cenário de equilíbrio delicado. Na avaliação de Andressa Durão, economista do ASA, os dados reforçam a percepção de uma economia resiliente e distante de uma recessão iminente, mas sem o aperto excessivo que poderia pressionar a inflação de forma descontrolada.
"O relatório mostra um mercado de trabalho ainda resiliente, sem sinais de recessão, mas também não suficientemente apertado para gerar riscos inflacionários relevantes", afirma a economista.
Apesar da leitura mista, o horizonte para a política monetária permanece cauteloso. Segundo Durão, o cenário base para a taxa de juros nos EUA segue sendo de manutenção ao longo deste ano. Contudo, variáveis exógenas podem alterar essa rota.
"Os riscos para a inflação decorrentes do prolongamento do conflito no Oriente Médio aumentam a probabilidade de alta de juros", pondera a economista, sinalizando que a autoridade monetária deve monitorar de perto os choques de oferta globais.
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