Macroeconomia

IPCA: Inflação volta a acelerar em março com pressão externa

Em março, houve surpresa de alta em alimentação no domicílio e combustíveis, indicando uma inflação mais pressionada na ponta
10 de abril de 2026

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve alta de 0,88% em março, segundo informou o IBGE nesta sexta-feira (10).

O resultado veio acima do esperado pelo ASA, que projetava alta de 0,75% no mês, enquanto o mercado estimava alta de 0,76%. Em março, houve surpresa de alta em alimentação no domicílio e combustíveis, indicando uma inflação mais pressionada na ponta.

A média dos núcleos avançou 0,43% no mês, ante projeção do ASA de 0,37% e de 0,38% do mercado, também acima do esperado. O destaque ficou para surpresa de alta no núcleo de serviços, especialmente em serviços de alimentação.

Pelas aberturas, o resultado foi puxado por alimentação no domicílio, com altas relevantes em itens 'in natura', e por combustíveis, refletindo os efeitos do conflito no Oriente Médio.

Em serviços, o grupo alimentação fora do domicílio seguiu pressionado, enquanto outros itens apresentaram comportamento mais misto. Do lado benigno, houve alívio em alguns bens industriais, como veículos. O movimento, contudo, foi insuficiente para compensar as pressões principais.

Na avaliação de Leonardo Costa, economista do ASA, o dado de março reforça que temos sido surpreendidos pela inflação no curto prazo.

"Parte desse movimento já reflete efeitos do cenário externo, mais evidentes em combustíveis e começando a aparecer, ainda que de forma incipiente, em alimentos (via aumento do frete, efeito secundário da alta do diesel)", diz.

Ao mesmo tempo, Costa destaca que chama a atenção a resiliência dos núcleos de serviços, que seguem operando em patamar elevado no 1º trimestre do ano.

Diante deste cenário, o economista afirma que a projeção do ASA para o IPCA de 2026, atualmente em 4,6%, deve ser revisada para cima.

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