O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15) registrou alta de 0,62% em maio superando as expectativas do mercado financeiro. O ASA projetava um avanço de 0,61% e a mediana do Broadcast apontava para 0,56%.
Com esse resultado, o indicador acumulado em 12 meses acelerou de 4,37% para 4,64% distanciando se ainda mais do teto da meta estipulada em 4,5%.
Os principais desvios em relação às projeções iniciais concentraram-se no avanço dos custos com cuidados pessoais e na alimentação no domicílio.
A análise qualitativa mostra que a média dos núcleos de inflação ficou em 0,49%, patamar também acima das estimativas de 0,46% projetadas tanto pelo ASA quanto pelo consenso do Broadcast.
A surpresa inflacionária decorreu principalmente do comportamento dos bens industrializados subjacentes e do segmento subjacente de serviços, que foi pressionado por altas mais expressivas em alimentação fora do domicílio e serviços pessoais.
Entre os grupos pesquisados, o principal vetor de pressão foi Alimentação e Bebidas que subiu 1,38% e gerou um impacto de 0,30 ponto percentual no índice geral puxado por itens in natura, carnes e leite.
O setor de Habitação avançou 1,03%, com impacto de 0,15 ponto percentual impulsionado pela energia elétrica residencial que saltou 2,16% em função da vigência da bandeira tarifária amarela em maio e de reajustes aplicados em Fortaleza Salvador e Recife.
Saúde e cuidados pessoais registrou alta de 1,05%, refletindo a elevação de 1,60% em higiene pessoal e de 1,25% em produtos farmacêuticos - que ainda absorvem o reajuste anual de até 3,81% autorizado em abril.
Em contrapartida, o alívio mais expressivo veio de Transportes, com queda de 0,33% após os combustíveis recuarem 1,47% com baixas no etanol no óleo diesel e na gasolina que compensaram a forte alta de 6,06% observada no mês anterior.
Na avaliação de Leonardo Costa, economista do ASA, o resultado de maio representa mais uma surpresa negativa no balanço qualitativo do IPCA-15.
"Chama atenção o comportamento dos bens industrializados, que parecem absorver os efeitos indiretos da alta recente do petróleo e das tensões no Oriente Médio, pressionando custos ao longo da cadeia produtiva",explica.
O economista destaca que o núcleo de serviços permanece em patamar muito elevado, o que é fonte de preocupação adicional para o Banco Central, que iniciou o ciclo de corte de juros no primeiro trimestre de 2026.
"Essa rigidez sinaliza que as pressões inflacionárias têm componente estrutural além do choque de oferta", observa.
Perspectivas
Para o curtíssimo prazo existe a perspectiva de uma inflação mais branda decorrente da normalização recente nos preços dos combustíveis favorecida pela ausência de reajustes por parte da Petrobras, apesar da defasagem acumulada.
Contudo, o balanço de riscos para o médio prazo segue assimétrico para cima diante de possíveis pressões do fenômeno El Niño sobre os alimentos e da resiliência do núcleo de serviços, que tende a dificultar a convergência da inflação para o centro da meta.
Diante deste cenário a projeção do ASA para o IPCA fechado de maio indica uma variação entre 0,50% e 0,60%.
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