Macroeconomia

FMI reduz projeção de crescimento da economia global com conflito no Oriente Médio

Segundo o Fundo, conflito mais amplo e prolongado pode enfraquecer ainda mais a economia e desestabilizar os mercados financeiros
14 de abril de 2026

Após barreiras comerciais e aumento de incerteza no ano passado, a economia global enfrenta agora um novo desafio em meio ao conflito no Oriente Médio e deve crescer menos do que o esperado anteriormente. É o que avalia o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em um cenário de efeitos limitados da guerra (considerando duração e abrangência), o FMI projeta uma desaceleração da economia global para 3,1% em 2026.

Em janeiro, última vez que as projeções tinham sido atualizadas, as estimativas apontavam para expansão de 3,3% do PIB global este ano.

Um conflito mais amplo e prolongado no Oriente Médio, contudo, pode aumentar a fragmentação geopolítica, enfraquecer ainda mais a economia e desestabilizar os mercados financeiros.

Em um cenário adverso, o FMI projeta que o crescimento global poderia ser reduzido para 2,5% em 2026, enquanto em um contexto mais severo, poderia implicar recessão global.

O FMI destaca, por exemplo, o aumento dos gastos com Defesa que, embora possa impulsionar a atividade no curto prazo, tende a aumentar temporariamente a inflação e criar desafios no médio-prazo, como déficit fiscal, aumento da dívida pública e deterioração das balanças externas.

Segundo o Fundo, uma desaceleração no crescimento e aumento da inflação devem ser vistos em especial em mercados emergentes e economias desenvolvidas.

Brasil deve crescer mais

Para o Brasil, no entanto, o FMI elevou a perspectiva de crescimento no período, citando um pequeno impacto positivo da guerra no Oriente Médio -- já que o Brasil é exportador de petróleo.

A estimativa é que a economia do país tenha expansão de 1,9% este ano, acima do crescimento de 1,6% esperado em janeiro.

A projeção é melhor do que a do Banco Central, de 1,6% e fica bem próximo das estimativas do mercado financeiro, de 1,85% segundo o Boletim Focus. O número, no entanto, ainda fica abaixo do projetado pelo Ministério da Fazenda (2,3%).

Já para o próximo ano, o FMI reduziu a sua estimativa em 0,3 p.p., para 2%. O corte reflete a perspectiva de desaceleração da demanda global, com custos mais altos de insumos e condições financeiras mais apertadas.

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