Os instrumentos do mercado de capitais voltados ao agronegócio seguem em ritmo de forte maturação.
Os Fiagros (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais) encerraram fevereiro com um patrimônio líquido de R$ 57 bilhões, um salto de 29% em relação ao mesmo mês de 2025.
A expansão da indústria é ratificada pelo número de fundos em operação, que cresceu 60% no período, totalizando 221 carteiras. Os dados integram o mais recente Boletim de Finanças Privadas do Agro.
No segmento de títulos de dívida, os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) mantêm o vigor observado desde o início de 2026. O estoque desses papéis avançou 15% em 12 meses, atingindo o montante de R$ 176,4 bilhões em março.
Em contrapartida, os CDCA (Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio) registraram retração de 8% na comparação anual, fechando março com R$ 32,3 bilhões.
O movimento é lido como uma correção gradual após o pico atípico de emissões ocorrido em agosto de 2024.
O papel das LCAs e o funding bancário
As LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio), pilares do funding setorial, alcançaram um estoque de R$ 583,4 bilhões em março, valor 6% superior ao registrado um ano antes.
Desse total, o volume destinado obrigatoriamente ao financiamento rural, que exige a reaplicação de ao menos 60% do captado pelas instituições financeiras, somou R$ 350 bilhões.
O número representa um crescimento expressivo de 28% frente ao observado em março de 2025.
Estoque de CPRs em alta
Na base do crédito privado, as CPRs (Cédulas de Produto Rural) apresentaram uma expansão de 17% em seu estoque total no fechamento de março, na comparação anual.
Ao todo, as registradoras contabilizam 402 mil cédulas, que somam R$ 560,2 bilhões.
Entretanto, o ritmo de novas emissões na safra atual (julho de 2025 a março de 2026) mostra uma leve desaceleração: foram emitidos R$ 284 bilhões em CPRs, montante 5% inferior ao verificado em igual intervalo do ciclo passado.
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