Investimentos

Mercado de capitais impulsiona o financiamento do agronegócio

Patrimônio dos Fiagros e estoque de CPRs registram forte expansão anual, enquanto o volume de LCA destinado ao financiamento rural atinge R$ 350 bilhões; mercado de capitais consolida fôlego apesar de acomodação nas emissões da safra atual
29 de abril de 2026

Os instrumentos do mercado de capitais voltados ao agronegócio seguem em ritmo de forte maturação.

Os Fiagros (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais) encerraram fevereiro com um patrimônio líquido de R$ 57 bilhões, um salto de 29% em relação ao mesmo mês de 2025.

A expansão da indústria é ratificada pelo número de fundos em operação, que cresceu 60% no período, totalizando 221 carteiras. Os dados integram o mais recente Boletim de Finanças Privadas do Agro.

No segmento de títulos de dívida, os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) mantêm o vigor observado desde o início de 2026. O estoque desses papéis avançou 15% em 12 meses, atingindo o montante de R$ 176,4 bilhões em março.

Em contrapartida, os CDCA (Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio) registraram retração de 8% na comparação anual, fechando março com R$ 32,3 bilhões.

O movimento é lido como uma correção gradual após o pico atípico de emissões ocorrido em agosto de 2024.

O papel das LCAs e o funding bancário

As LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio), pilares do funding setorial, alcançaram um estoque de R$ 583,4 bilhões em março, valor 6% superior ao registrado um ano antes.

Desse total, o volume destinado obrigatoriamente ao financiamento rural, que exige a reaplicação de ao menos 60% do captado pelas instituições financeiras, somou R$ 350 bilhões.

O número representa um crescimento expressivo de 28% frente ao observado em março de 2025.

Estoque de CPRs em alta

Na base do crédito privado, as CPRs (Cédulas de Produto Rural) apresentaram uma expansão de 17% em seu estoque total no fechamento de março, na comparação anual.

Ao todo, as registradoras contabilizam 402 mil cédulas, que somam R$ 560,2 bilhões.

Entretanto, o ritmo de novas emissões na safra atual (julho de 2025 a março de 2026) mostra uma leve desaceleração: foram emitidos R$ 284 bilhões em CPRs, montante 5% inferior ao verificado em igual intervalo do ciclo passado.

Leia também: Como as distorções de preço no crédito privado abrem janelas no mercado secundário

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