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Como chegamos até aqui
Em janeiro, as ações de mercados emergentes registraram entradas líquidas recordes de cerca de US$ 39 bilhões. O resultado foi uma disparada de 12,56% do Ibovespa, na terceira maior alta mensal desde 2010.
Dentre os vetores que estão alimentando essa rotação global de capital, Rogerio Freitas, head de investimentos do ASA, chama a atenção para um dólar mais fraco e expectativas de corte de juros pelo Federal Reserve. Valuations menos esticados, yields atraentes em emergentes e a busca por diversificação também contribuem.
Na política monetária, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, manteve a taxa Selic em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva. A grande novidade desta primeira reunião do ano recai sobre a sinalização, ainda que com tom altamente cauteloso, do início do ciclo de cortes, esperado para o próximo encontro, em março.
"Os dados de inflação, mercado de trabalho, além dos demais dados da atividade doméstica serão relevantes para definir o ritmo de cortes para março", destaca Leonardo França Costa, economista do ASA.
Nos EUA, o movimento também foi de manutenção dos juros pelo Federal Reserve no intervalo de 3,50% a 3,75%, interrompendo uma sequência de três cortes. No comunicado, o Fed retirou a avaliação de que os riscos para o emprego haviam aumentado e destacou sinais de estabilização da taxa de desemprego.
Também por lá, o presidente Donald Trump anunciou que o ex-diretor do Fed Kevin Warsh será o próximo presidente do banco central americano, ao término do mandato de Jerome Powell, em maio. O nome ainda precisa ser aprovado pelo Senado.
A nomeação vem em um contexto de olhar crítico às políticas do Fed, principalmente no que diz respeito à política de compra de ativos do BC americano com uso recorrente e permanente, a qual Warsh é contra.
Além de Warsh, o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, o membro do Fed, Christopher Waller, e Rick Rieder, executivo da BlackRock, também foram nomes cotados pelo presidente americano e ficaram entre os quatro finalistas para a presidência.
“Acreditamos que a indicação de Warsh para a presidência do Fed não vai impactar a independência do BC americano, e que não haverá interferência política. Warsh parece ser um cara sério, que está ali para fazer política monetária. Ele já foi diretor do Fed e, inclusive, foi cotado para assumir a posição que hoje é ocupada por Powell”, diz Andressa Durão, economista do ASA.
O que vem aí
Sem decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, investidores seguem monitorando dados de atividade e inflação que possam ditar os próximos passos na política monetária do Copom e do Fomc, respectivamente.
O ASA projeta um primeiro corte na Selic de 0,25 ponto percentual em março, com risco (ainda que menor) de um movimento mais intenso, de 0,50 pp.
Já nos EUA, a expectativa é de uma política monetária estável, com taxa de juros parada ao longo de todo o ano de 2026.
Por lá, a Câmara aprovou na terça-feira (3) uma série de leis orçamentárias que estavam pendentes, encerrando o segundo shutdown (paralisação) do atual governo de Donald Trump.
O governo federal dos EUA havia paralisado no último sábado (31), apenas três meses após o shutdown mais longo da história do país, que aconteceu entre outubro e novembro do ano passado.
Em Brasília, o primeiro semestre será dominado por temas de forte impacto fiscal e setorial, com 10 medidas provisórias (MPs) que expiram ainda em fevereiro.
É o caso da MP 1.313/05, por exemplo, que trata do Gás do Povo e que foi aprovada pelo Senado na terça (3). Agora, segue para a sanção presidencial.
Na pauta também está a MP 1.318/25, sobre o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), que reduz a arrecadação federal via renúncia tributária, apostando em ganhos futuros de investimento e competitividade.