A economia dos Estados Unidos cresceu abaixo do esperado no quarto trimestre e encerrou 2025 com expansão de 2,2%, desacelerando em relação à alta de 2,8% registrada em 2024.
O resultado refletiu o "shutdown" no país, que teve impacto mais forte que o esperado nos gastos do governo e puxou o PIB para baixo.
Apesar da percepção de perda de fôlego da atividade americana, Andressa Durão, economista do ASA, destaca que quando analisado o consumo ou o indicador de demanda final do consumo americano, este mostra que a economia dos EUA continuou crescendo em ritmo sólido e que esses gastos do governo devem reverter a queda no 1º trimestre de 2026.
"A gente vê o crescimento ainda sólido e representando um risco de alta para a política monetária", diz Andressa, que não prevê corte de juros nos EUA este ano.
Ela destaca que o crescimento de 2,2% do PIB no ano veio acima da expansão de 1,7% projetada pelo Fed no último SEP, divulgado em dezembro.
"Essa revisão para cima do PIB e para baixo na taxa de desemprego, como vimos nos últimos dados do mercado de trabalho, fazem com que o Fed possa revisar a trajetória dos juros", avalia.
Também foi divulgada nesta sexta (20) a inflação americana medida pelo PCE (Índice de Preços de Gastos com Consumo), cujo núcleo (que exclui itens mais voláteis, como alimentos e energia) teve alta de 0,4% em dezembro, em linha com o esperado.
"Uma inflação em linha e um mandato do emprego apresentando riscos de alta devem fazer com que o Fed revise a trajetória de juros de forma que ele possa apresentar menos um corte do que está projetado no último 'dots'. Ou seja, em março, quando o Fed divulgar o próximo "dot", ele pode revisar e esperar nenhum corte, em linha com o nosso cenário", avalia Andressa.